Fundamentos da Educação Cristã

Capítulo 42

O fundamento da verdadeira educação

A verdadeira educação é uma ciência grandiosa, porque se baseia no temor do Senhor, que é o princípio da sabedoria. Cristo é o maior Mestre que este mundo já conheceu, e não é do agrado do Senhor Jesus que os súditos de Seu reino, pelos quais Ele morreu, sejam educados de tal maneira que coloquem a sabedoria dos homens no primeiro plano e releguem a sabedoria de Deus, conforme é revelada em Sua santa Palavra, ao derradeiro lugar. A verdadeira educação preparará as crianças e os jovens para a vida presente, e, com referência à vida futura, para uma herança na pátria melhor, isto é, a celestial. Eles devem ser preparados para a pátria à qual olharam os patriarcas e profetas. "Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas, vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a Terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas agora aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não Se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade."

O método geral de educar a juventude não alcança a norma da verdadeira educação. Sentimentos ateus estão entretecidos nas matérias expostas nos livros escolares, e os oráculos de Deus são colocados em uma luz duvidosa ou até mesmo censurável. Assim a mente dos jovens se familiariza com as sugestões de Satanás; e as dúvidas uma vez acariciadas tornam-se fatos positivos para os que as mantêm, e a pesquisa científica se torna enganosa por causa da forma em que suas descobertas são interpretadas e pervertidas. Os homens assumem o encargo de colocar a Palavra de Deus ante um tribunal finito, e pronuncia-se a sentença sobre a inspiração de Deus de acordo com a avaliação finita, fazendo-se com que a verdade divina se afigure como coisa duvidosa diante dos anais da ciência. Esses falsos educadores exaltam a Natureza acima do Deus da Natureza e acima do Autor de toda ciência verdadeira. Precisamente quando os professores deveriam ter sido firmes e resolutos em seu testemunho; precisamente quando deveria haver-se tornado manifesto que sua alma estava firmada na Rocha Eterna; quando deveriam ter sido capazes de inspirar fé nos que duvidavam, admitiram sua própria incerteza a respeito do que era verdade: se a Palavra de Deus ou as descobertas da falsamente chamada ciência. Os que realmente eram conscienciosos foram levados a titubear em sua fé devido à hesitação dos que professavam ser expoentes da Bíblia quando lidavam com os oráculos vivos. Satanás tem-se aproveitado da incerteza mental e, mediante instrumentalidades invisíveis, tem amontoado seus sofismas, fazendo com que os homens fiquem envoltos na névoa do cepticismo.

Homens instruídos têm feito preleções em que a verdade é mesclada com o erro; e desequilibraram a mente dos que se inclinavam para o erro em vez de para a verdade. Os sofismas sutilmente tramados pelos assim chamados sábios possuem certo encanto para determinada classe de estudantes; mas a impressão que essas preleções deixam na mente é a de que o Deus da Natureza é restringido por Suas próprias leis. Tem-se discorrido longamente sobre a imutabilidade da Natureza, e teorias cépticas têm sido adotadas de bom grado por aqueles cuja mente escolheu a atmosfera da dúvida, porque não estavam em harmonia com a santa lei de Deus, fundamento de Seu governo no Céu e na Terra. Sua natural propensão para o mal facilitou-lhes a escolha de falsos caminhos e fez com que duvidassem da veracidade dos relatos e da história tanto do Antigo como do Novo Testamento. Envenenados pelo erro, aproveitaram toda oportunidade para lançar as sementes da dúvida em outros espíritos. A Natureza é exaltada acima do Deus da Natureza, e é destruída a simplicidade da fé, pois dá-se a impressão de que o fundamento da fé é inseguro. Envolta na névoa do cepticismo, a mente dos que duvidam é arremessada contra os recifes da incredulidade. -- The Youth's Instructor, 31 de Janeiro de 1895.