(Antigo Testamento)
O Mundo Antediluviano - Enoque
Primeiro exemplo de evangelismo urbano - Enoque andou com Deus e, a despeito disso, não viveu no meio de qualquer cidade corrompida com todas as espécies de violência e iniquidade (Manuscrito 94, 1903; Ev, p. 78).
Enoque não viveu entre os ímpios - Ele [Enoque] não estabeleceu sua residência com os ímpios. [...] Colocou a si mesmo e sua família onde a atmosfera seria a mais pura possível. De vez em quando, então, ele se dirigia aos habitantes do mundo com sua mensagem dada por Deus. [...] Depois de proclamar sua mensagem, ele sempre levava de volta consigo, a seu lugar de retiro, alguns que aceitavam a advertência (Manuscrito 42, 1900; Mar, p. 182).
Os métodos de Enoque se tornarão nossos métodos - Planos sábios têm que ser idealizados, a fim de que esse trabalho seja feito com o melhor proveito possível. Mais e mais, à medida que aumenta a impiedade nas grandes cidades, teremos que trabalhar nelas a partir de centros avançados. Foi desse modo que Enoque trabalhou nos dias anteriores ao dilúvio, quando a maldade era abundante em cada comunidade populosa, e quando a violência imperava naquela terra (RH, 27 de setembro de 1906).
Sodoma
O amor pelas pessoas motivou a oração de Abraão - Embora Ló tivesse se tornado morador em Sodoma, não participava da iniquidade de seus habitantes. Abraão julgava que naquela populosa cidade deveria haver outros adoradores do verdadeiro Deus. E, em vista disso, rogou ele: "Longe de Ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; [...] longe de Ti seja. Não faria justiça o Juiz de toda a Terra?" (Gn 18:25). Abraão não pediu simplesmente uma vez, mas muitas vezes. Tornandose mais ousado, ao serem satisfeitos seus pedidos, continuou até ter certeza de que, se mesmo dez pessoas justas pudessem achar-se nela, a cidade seria poupada.
O amor pelas pessoas que pereciam inspirava a oração de Abraão. Ao mesmo tempo em que lhe repugnavam os pecados daquela cidade corrupta, desejava que os pecadores pudessem ser salvos. Seu profundo interesse por Sodoma mostra a ansiedade que devemos experimentar pelos impenitentes. Devemos alimentar ódio ao pecado, mas piedade e amor para com o pecador. Ao nosso redor existem pessoas que são levadas à ruína inevitavelmente e de forma tão terrível como aquela que recaiu sobre Sodoma. A cada dia o tempo de graça de alguém se encerra. A cada momento alguns passam para além do alcance da misericórdia. E onde estão as vozes de aviso e súplica, mandando o pecador fugir dessa condenação terrível? Onde estão as mãos estendidas para o fazer retroceder do caminho da morte? Onde estão os que com humildade e fé perseverante intercedem junto a Deus por ele? (PP, p. 139, 140 [1890]).
Os cristãos podem exercer grande impacto sobre as cidades - Se é certo que Deus, por amor de dez justos, teria poupado Sodoma, qual não seria a influência para o bem, produzida em resultado da fidelidade do povo de Deus, se cada um dos que professam o nome de Cristo se achasse também revestido de Sua Justiça? (ST, 2 de maio de 1895; LC, p. 104).
Nínive
Muitos responderão ao chamado de Deus - Embora ímpia como havia se tornado, Nínive não estava inteiramente entregue ao mal. Aquele que "está vendo a todos os filhos dos homens" (Sl 33:13), e "descobre todas as coisas preciosas" (Jó 28:10), viu na cidade muitos que estavam procurando alguma coisa melhor e mais alta, os quais, se lhes fosse dada oportunidade para conhecer o Deus vivo, afastariam de si as más obras, e O adorariam. E assim, em Sua sabedoria, Deus Se revelou a eles de maneira inconfundível, a fim de levá-los, se possível, ao arrependimento.
O instrumento escolhido para essa obra foi o profeta Jonas, filho de Amitai. A ele veio a palavra do Senhor: "Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até Mim" (Jn 1:1, 2). [...]
Entrando na cidade, Jonas começou a pregar "contra ela" a mensagem: "Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida" (Jn 3:4). De rua em rua ia ele fazendo soar a nota de advertência.
A mensagem não foi em vão. O clamor que soava através das ruas da ímpia cidade ia passando de lábio em lábio, até que todos os habitantes tivessem ouvido o assustador anúncio. O Espírito de Deus imprimiu a mensagem em cada coração, e levou multidões a tremerem por causa de seus pecados, e a se arrependerem em profunda humilhação (PR, p. 265, 266, 270 [1917]).
Jerusalém - Reavivamento Promovido Pelo Rei Josias
O impacto dos líderes não deve ser subestimado - O rei [Josias] devia deixar com Deus os eventos do futuro; ele não poderia alterar os eternos decretos de Jeová. Mas ao anunciar os juízos retributivos do Céu, o Senhor não reteve a oportunidade para arrependimento e reforma; e Josias, discernindo nisso uma boa disposição da parte de Deus para temperar Seus juízos com misericórdia, determinou fazer tudo que estivesse em seu poder para executar decididas reformas. Imediatamente Ele organizou uma grande convocação, para a qual foram convidados os anciãos e magistrados de Jerusalém e de Judá, juntamente com o povo comum. Estes, com os sacerdotes e levitas, se juntaram ao rei no pátio do templo.
A esta vasta assembleia, o próprio rei leu "aos ouvidos deles todas as palavras do livro do concerto, que se achou na casa do Senhor" (2Rs 23:2). O leitor real estava profundamente comovido, e apresentou sua mensagem com o toque de um coração quebrantado. Seus ouvintes ficaram profundamente tocados. A intensidade de sentimento revelada no rosto do rei, a solenidade da mensagem em si, a advertência de iminente juízo - tudo isso teve o seu efeito, e muitos se determinaram a se unir ao rei em busca de perdão.
Josias propôs agora que os mais elevados em autoridade se unissem ao povo num solene concerto perante Deus de que cooperariam uns com os outros num esforço para instituir decididas mudanças. "E o rei se pôs junto à coluna, e fez o concerto perante o Senhor, para andarem com o Senhor, e guardarem os Seus mandamentos, e os Seus testemunhos, e os Seus estatutos, com todo o coração, e com toda a alma, confirmando as palavras deste concerto, que estavam escritas naquele livro." A resposta foi mais generosa do que o rei ousara esperar. "Todo o povo esteve por este concerto" (v. 3).
Na reforma que se seguiu, o rei voltou sua atenção para a destruição de todo vestígio de idolatria [...]. Por tanto tempo haviam os habitantes da Terra seguido os costumes das nações ao redor pelo ajoelhar-se perante imagens de madeira e pedra, que parecia estar quase além do poder do homem remover cada traço desses males. Mas Josias perseverou em seus esforços por purificar a terra. Enfrentou com dureza a idolatria, fazendo matar a "todos os sacerdotes dos altos"; "e também os adivinhos, e os feiticeiros, e os terafins, e os ídolos, e todas as abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém, os extirpou Josias, para confirmar as palavras da lei, que estavam escritas no livro que o sacerdote Hilquias achara na casa do Senhor" (v. 20, 24) (PR, p. 400, 401 [1917]).
(Novo Testamento)
A Carta Magna Da Missão De Cristo
Ir ao povo - A comissão evangélica é a Carta Magna missionária do reino de Cristo. Os discípulos deviam trabalhar fervorosamente pelas pessoas, dando a todas o convite de misericórdia. Não deviam esperar que o povo viesse a eles; deviam eles ir ao povo com sua mensagem (AA, p. 28 [1911]).
O ministério terrestre de Cristo ilustrou a comissão evangélica - Aquele que é a luz e a vida do evangelho tornou-Se carne e habitou entre nós. Solidário com a humanidade, Ele alimentou os famintos, curou os enfermos e andou por todas as cidades daquela terra fazendo o bem aos homens. Todas as nossas obras devem ser realizadas em Cristo. Tornando-se participantes de Sua natureza, Seus seguidores devem fazer as obras dEle. O ministério de Cristo em favor das pessoas foi a interpretação de Sua grande comissão aos discípulos: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16:15) (Manuscrito 1, 1908; MR5, p. 213, 214).
Jesus, O Mestre Por Excelência
Jesus ensinou pelo exemplo - Era pelo contato pessoal e relacionamento que Jesus preparava os discípulos. Ensinava-os, às vezes, sentado entre eles na encosta da montanha; outras vezes, às margens do lago, ou caminhando em sua companhia, revelava-lhes os mistérios do reino de Deus. Não pregava, como fazem as pessoas hoje em dia. Sempre que os corações se achassem abertos para receber a divina mensagem, expunha as verdades do caminho da salvação. Não ordenava a Seus discípulos que fizessem isso ou aquilo, mas dizia: "Segue-Me." Nas jornadas através de campos e cidades, levava-os consigo, para que vissem como ensinava o povo. Vinculava-lhes os interesses aos Seus, e eles se Lhe uniam na obra (DTN, p. 152 [1898]).
Jesus Se comunicava com aqueles a quem servia - Durante Seu ministério terrestre, Cristo deu início à obra de derrubar o muro de separação entre judeus e gentios e pregar a salvação a toda a humanidade. Embora judeu, Se comunicava livremente com os samaritanos, anulando costumes farisaicos dos judeus com respeito a esse povo desprezado. Dormia sob seu teto, comia à mesa deles e ensinava em suas ruas (AA, p. 19 [1911]).
Jesus escolheu Cafarnaum por seu potencial evangelístico - Durante Seu ministério terrestre, o Salvador aproveitou as oportunidades oferecidas pelos grandes centros de comunicação. Cafarnaum, onde Jesus ficava nos intervalos de Suas viagens de um lado para outro, se tornou conhecida como "Sua cidade". Essa cidade bem se adaptava a ser o centro do trabalho do Salvador. Localizada junto à estrada principal de Damasco a Jerusalém e ao Egito, bem como para o Mar Mediterrâneo, era uma grande via de comunicação. Gente de muitas terras atravessava a cidade, ou ali se demorava para descansar, em suas jornadas de um lado para o outro. Ali, Jesus podia encontrar pessoas de todas as nações e todas as classes sociais; ricos e poderosos, assim como pobres e humildes; Suas lições seriam levadas a outros países e para muitos lares. Desse modo, era estimulado o estudo das profecias; e as atenções se voltavam para o Salvador, e Sua missão era levada perante o mundo (T9, p. 121 [1909]).
Cidades do Novo Testamento
Jerusalém
O evangelho deve ser proclamado em todas as circunstâncias - Cristo disse a Seus discípulos que começassem o trabalho em Jerusalém. Aquela cidade fora o cenário de Seu incrível sacrifício pela raça humana. Lá, envolto nas vestes da humanidade, andara e falara com os homens, e poucos discerniram quão próximo da Terra estava o Céu. Lá Ele fora condenado e crucificado. Em Jerusalém havia muitos que, secretamente, criam que Jesus de Nazaré era o Messias, e muitos que haviam sido enganados pelos sacerdotes e príncipes. A esses o evangelho devia ser proclamado. Deviam ser chamados ao arrependimento. Devia ser esclarecida a maravilhosa verdade de que somente por meio de Cristo pode ser obtida a remissão dos pecados. E era enquanto toda a Jerusalém estava agitada pelos acontecimentos sensacionais das poucas semanas passadas que a pregação dos discípulos causaria a mais profunda impressão (AA, p. 31, 32 [1911]).
Os discípulos creditaram as pessoas convertidas ao trabalho de outros - Em Jerusalém, o baluarte do judaísmo, milhares declararam abertamente sua fé em Jesus de Nazaré como o Messias.
Os discípulos estavam assombrados e sobremodo jubilosos com a abundante colheita de pessoas. Eles não consideravam essa maravilhosa colheita como resultado de seus esforços; sabiam que estavam entrando no trabalho de outros homens (AA, p. 44 [1911]).
Antioquia Da Síria
O nome "cristão" resultou do testemunho urbano cristocêntrico - Na populosa cidade de Antioquia, [o apóstolo] Paulo encontrou um excelente campo de trabalho. Sua cultura, sabedoria e zelo exerceram poderosa influência sobre os habitantes e as pessoas que frequentavam aquela cidade de cultura; e ele se mostrou ser precisamente o auxílio de que Barnabé necessitava. Durante um ano, os dois discípulos trabalharam unidos em um ministério fiel, levando a muitos o salvador conhecimento de Jesus de Nazaré, o Redentor do mundo.
Foi em Antioquia que os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos. Esse nome foi-lhes dado porque Cristo era o principal tema de sua pregação, conversação e ensino (AA, p. 156, 157 [1911]).
Membros da igreja nas cidades devem se unir a outros no serviço - O exemplo dos seguidores de Cristo em Antioquia deve ser uma inspiração para todos os crentes que vivem atualmente nas grandes cidades do mundo. Embora esteja no plano de Deus que obreiros escolhidos, de consagração e talento, sejam estacionados em importantes centros de população para realizar conferências públicas, é também Seu propósito que os membros da igreja que vivem nessas cidades usem os talentos que Deus lhes deu trabalhando em favor das pessoas. Ricas bênçãos estão armazenadas para os que se entregam sem reservas ao chamado de Deus. Ao se empenharem tais obreiros na salvação de pessoas para Jesus, verificarão que muitos que jamais teriam sido alcançados de outra forma, estão prontos a responder ao esforço pessoal inteligente.
A causa de Deus na Terra nestes dias está em necessidade de representantes vivos da verdade bíblica. Os ministros ordenados sozinhos não são suficientes para a tarefa de advertir as grandes cidades. Deus está chamando não somente pastores, mas também médicos, enfermeiros, colportores, obreiros bíblicos e outros consagrados membros da igreja, possuidores de diferentes talentos, que tenham o conhecimento da Palavra de Deus e possuam o poder de Sua graça, para que considerem as necessidades das cidades não advertidas. O tempo está passando rapidamente, e muito resta a ser feito. Todos os meios devem ser postos em operação, para que as oportunidades atuais sejam sabiamente aproveitadas (AA, p. 158, 159 [1911]).
Igrejas Organizadas Em Cidades No Centro Da Ásia Menor
O estabelecimento de igrejas fortalece os membros novos - No dia seguinte ao apedrejamento de Paulo, os apóstolos partiram para Derbe, onde seu trabalho foi abençoado e muitas pessoas foram levadas a aceitar Cristo como o Salvador. Mas, "tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos", nem Paulo nem Barnabé estavam dispostos a iniciar trabalho em outra parte sem confirmar a fé dos conversos que eram forçados a deixar sozinhos por algum tempo, nos lugares onde tinham recentemente trabalhado. E assim, sem temor diante dos perigos, "voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé" (At 14:21, 22). Muitos haviam aceito as alegres novas do evangelho e expuseram-se à vergonha e à oposição. A esses procurou o apóstolo firmar na fé, para que a obra pudesse subsistir.
Como importante fator no crescimento espiritual dos novos conversos, os apóstolos tiveram o cuidado de cercá-los com a salvaguarda da ordem evangélica. As igrejas eram devidamente organizadas em todos os lugares da Licaônia e da Pisídia onde houvesse crentes. Eram indicados oficiais para cada igreja, e ordem e sistema próprios eram estabelecidos para que se conduzissem todas as atividades pertinentes ao bem-estar espiritual dos crentes (AA, p. 185 [1911]).
Tessalônica
Paulo ensinou verdades baseadas na Escritura - Ao proclamar Paulo, com zelo santo, o evangelho na sinagoga de Tessalônica, uma torrente de luz se derramou sobre o verdadeiro significado dos ritos e cerimônias que se relacionavam com o serviço do tabernáculo. Conduziu ele a mente de seus ouvintes para além do cerimonial terrestre e do ministério de Cristo no santuário celestial, até o tempo em que, tendo completado Seu trabalho de intercessão, Ele deverá voltar, com poder e grande glória, para estabelecer Seu reino na Terra. Paulo cria na segunda vinda de Cristo; apresentou as verdades relacionadas a esse evento com tanta clareza e ênfase que produziu na mente de muitos dos ouvintes uma impressão que nunca mais se apagou.
Por três sábados sucessivos Paulo pregou aos tessalonicenses, discutindo com eles sobre as Escrituras referentes à vida, morte, ressurreição, obra intercessória e glória futura de Cristo, "o Cordeiro morto desde a fundação do mundo" (Ap 13:8). Ele exaltava a Cristo, de cujo ministério a compreensão exata é a chave que abre as Escrituras do Antigo Testamento, dando acesso a seus ricos tesouros.
Ao serem as verdades do evangelho assim proclamadas em Tessalônica com forte poder, foi atraída a atenção de grandes congregações. "E alguns deles creram, e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos, e não poucas mulheres principais" (At 17:4) (AA, p. 228, 229 [1911]).
Atenas
Os descrentes não devem ser passados por alto - Enquanto esperava por Silas e Timóteo, Paulo não ficou ocioso. "Disputava na sinagoga com os judeus e religiosos, e todos os dias na praça com os que se apresentavam" (At 17:17). Mas a sua principal obra em Atenas era levar as boas-novas de salvação aos que não tinham clara concepção de Deus e de Seu propósito em favor da raça caída. O apóstolo logo havia de enfrentar o paganismo em sua forma mais sutil e sedutora (AA, p. 234, 235 [1911]).
Evangelizar os sábios e cultos - [Os principais filósofos locais] conduziram [Paulo] ao Areópago. Esse era um dos locais mais sagrados de toda a Atenas, e suas evocações e reminiscências eram tais que o faziam ser considerado com uma supersticiosa reverência que, na mente de alguns, chegava ao terror. Era nesse local que os assuntos relacionados com a religião eram muitas vezes considerados cuidadosamente por homens que funcionavam como juízes finais em todas as questões mais importantes, tanto morais como civis.
Ali, afastado do ruído e da agitação das ruas apinhadas e do tumulto da discussão promíscua 1, o apóstolo podia ser ouvido sem interrupção. Ao seu redor reuniram-se poetas, artistas, e filósofos - intelectuais e sábios de Atenas, que a ele assim se dirigiram: "Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? Pois coisas estranhas nos trazes aos ouvidos; queremos pois saber o que vem a ser isto" (At 17:19, 20) (AA, p. 236 [1911]).
Paulo usou a cultura local para causar impacto com sua mensagem - Com a mão estendida em direção ao templo cheio de ídolos, Paulo esvaziou seu coração e expôs a falácia da religião dos atenienses. Os mais sábios dentre seus ouvintes ficaram admirados ao atentarem para a argumentação dele. Mostrou estar familiarizado com suas obras de arte, literatura e religião. Apontando para o estatuário e ídolos deles, declarou que Deus não pode ser assemelhado a formas de imaginação humana. Aquelas imagens esculpidas não podiam, mesmo da maneira mais pálida, representar a glória de Jeová. Ele os fez pensar no fato de que aquelas imagens não tinham vida, mas eram controladas pelo poder humano, movendo-se apenas quando as mãos dos homens as moviam, de maneira que os adoradores eram em tudo superiores ao objeto adorado.
Paulo levou a mente de seus ouvintes idólatras para além dos limites de sua falsa religião, a uma visão certa da Divindade a que eles denominaram "Deus desconhecido" (AA, p. 237 [1911]).
Corinto
Mudar os métodos, se os resultados forem pequenos - Durante o primeiro século da era cristã, Corinto foi uma das principais cidades, não somente da Grécia, mas do mundo. Gregos, judeus e romanos, juntamente com viajantes de todas as terras, aglomeravam nas suas ruas, intensamente entregues às atividades e aos prazeres. Grande centro comercial, situado com fácil acesso a todas as partes do império romano, era um importante lugar para o estabelecimento de monumentos para Deus e Sua verdade.
Entre os judeus que haviam fixado residência em Corinto, achavam-se Áquila e Priscila, que se distinguiram posteriormente como zelosos obreiros de Cristo. Vindo a conhecer o caráter dessas pessoas, Paulo "ficou com eles" (At 18:3).
Logo no princípio de seu trabalho nesse ponto de sua viagem, Paulo viu de todos os lados sérios obstáculos ao progresso de sua obra. A cidade estava quase inteiramente entregue à idolatria. Vênus era a deidade favorita; e com a adoração de Vênus estavam relacionados muitos ritos e cerimônias degradantes. Os coríntios tinham-se tornado notáveis, mesmo entre os pagãos, por sua grosseira imoralidade. Parecia que sua preocupação ou cuidado não ia além dos prazeres e passatempos do momento.
Em sua pregação do evangelho em Corinto, o apóstolo seguiu um sistema diferente do que assinalara seu trabalho em Atenas. Neste lugar, procurara ele adaptar seu estilo ao caráter de seu auditório; confrontara lógica com lógica, respondera à ciência com ciência, à filosofia com filosofia. Considerando o tempo assim gasto, e concluindo que seu ensino em Atenas fora pouco produtivo, decidiu seguir outro plano de trabalho em Corinto, nos seus esforços para atrair a atenção dos descuidados e indiferentes. Decidira evitar discussões e argumentos elaborados e nada se propor a saber entre os coríntios, "senão a Jesus Cristo, e Este crucificado". Estava disposto a pregar-lhes, não com "palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder" (1Co 2:2, 4).
Jesus, a quem Paulo estava prestes a apresentar perante os gregos em Corinto como o Cristo, era um judeu de origem humilde, criado em uma cidade conhecida por sua perversidade. Havia sido rejeitado por Sua nação, sendo afinal crucificado como malfeitor. Os gregos acreditavam na necessidade do reerguimento da raça humana, mas consideravam o estudo da filosofia e da ciência como o único meio de atingir a verdadeira elevação e honra. Poderia Paulo levá-los a crer que a fé no poder desse obscuro Judeu elevaria e enobreceria cada faculdade do ser?
Para o entendimento de multidões que vivem no presente, a cruz do Calvário está cercada de sagradas recordações. Santas associações estão relacionadas com as cenas da crucifixão. Mas, nos dias de Paulo, a cruz era olhada com sentimentos de repulsa e horror. Exaltar como o Salvador da humanidade Aquele que havia encontrado a morte sobre a cruz poderia naturalmente despertar o ridículo e a oposição.
Paulo bem sabia como sua mensagem seria considerada tanto pelos judeus como pelos gregos de Corinto. "Nós pregamos a Cristo crucificado", admitiu ele, "que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos" (1Co 1:23). Entre seus ouvintes judeus havia muitos que ficariam irados com a mensagem que ele estava para proclamar. Na avaliação dos gregos, suas palavras seriam absurda loucura. Ele seria considerado como um débil mental ao tentar mostrar como a cruz poderia ter qualquer relação com o reerguimento da raça ou a salvação da humanidade (AA, p. 243-245 [1911]).
O humano deve se esconder por trás do divino - Os esforços do apóstolo [Paulo] não estavam restringidos à pregação pública; muitos havia que não poderiam ser alcançados dessa maneira. Ele gastou muito tempo no trabalho de casa em casa, prevalecendo-se assim das relações familiares 2 do círculo doméstico. Visitava os enfermos e tristes, confortava os aflitos, animava os oprimidos. Em tudo o que dizia e fazia engrandecia o nome de Jesus. Trabalhava assim "em fraqueza, e em temor, e em grande tremor" (1Co 2:3). Ele tremia ao pensamento de que seus ensinos pudessem revelar mais o humano que o divino (AA, p. 250 [1911]).
Os mais imorais podem se tornar monumentos da grandeza de Deus - Os esforços de Paulo em Corinto não ficaram sem fruto. Muitos abandonaram a adoração dos ídolos para servirem ao Deus vivo, e uma grande igreja se alistou sob a bandeira de Cristo. Alguns foram salvos dentre os mais devassos gentios e tornaram-se monumentos da misericórdia de Deus e da eficácia do sangue de Cristo para limpar do pecado (AA, p. 252 [1911]).
Éfeso
Mudar de local, se a oposição se torna forte - Conforme seu costume, Paulo iniciou sua obra em Éfeso pregando na sinagoga dos judeus. Aí continuou trabalhando por três meses, "disputando e persuadindo-os acerca do reino de Deus". A princípio encontrou recepção favorável; mas como nos outros campos, logo surgiu violenta oposição. "Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão" (At 19:8, 9), e como persistissem em sua rejeição do evangelho, o apóstolo cessou de pregar na sinagoga.
O Espírito de Deus operara em Paulo e, por meio dele, em seus labores em favor de seus compatriotas. Suficiente prova fora apresentada para convencer a todos os que sinceramente desejassem conhecer a verdade (AA, p. 285 [1911]).
Roma
Igrejas existentes devem plantar novas igrejas - Ver a fé cristã firmemente estabelecida no grande centro do mundo conhecido, era uma de suas [de Paulo] mais caras esperanças e estava entre seus mais acalentados planos. Uma igreja já havia sido estabelecida em Roma, e o apóstolo desejava conseguir a cooperação dos crentes dali na obra a ser promovida na Itália e em outros países. A fim de preparar o caminho para os seus trabalhos entre esses irmãos, como ainda eram estranhos, enviou-lhes uma carta, anunciando seu intento de visitar Roma e sua esperança de plantar o estandarte da cruz na Espanha (Sketches From the Life of Paul, p. 187 [1883]; AA, p. 373 [1911]).
Paulo, o prisioneiro, ainda testemunhava - Roma era nessa ocasião a metrópole do mundo. Os arrogantes Césares estavam dando leis a quase todas as nações da Terra. Reis e cortesãos não tomavam conhecimento do humilde Nazareno ou O consideravam com ódio e desprezo. E, contudo, em menos de dois anos o evangelho teve acesso da modesta casa do prisioneiro aos recintos imperiais. Paulo estava em cadeias como um malfeitor, mas "a Palavra de Deus não está presa" (2Tm 2:9) (AA, p. 461, 462 [1911]).
Autoridades podem incrementar as possibilidades evangelísticas - Pelo favorecimento daqueles que tinham Paulo sob sua guarda, foi a este permitido morar em uma casa cômoda, onde podia encontrar-se livremente com seus amigos e também apresentar diariamente a verdade aos que o iam ouvir. Assim, durante dois anos continuou seus esforços, "pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum" (At 28:31) (AA, p. 453 [1911]).
Os conversos em posições de responsabilidade podem testemunhar onde se encontram - Não somente houve conversos ganhos para a verdade na casa de César, mas depois de sua conversão eles permaneceram nessa casa. Não se sentiram na liberdade de abandonar seu posto de dever por não lhes ser mais favorável o ambiente. A verdade os achara ali, e ali permaneceram testificando por sua vida e caráter mudados do poder transformador da nova fé (AA, p. 466 [1911]).