A oração feita em público deve ser breve, e ir diretamente ao ponto. Deus não requer que tornemos fastidioso o período do culto, mediante longas petições. Cristo não impõe a Seus discípulos fatigantes cerimônias e longas orações. "Quando orares", disse Ele, "não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens." Mateus 6:5.
Os fariseus tinham horas estabelecidas para oração; e quando, como acontecia muitas vezes, eles se achavam fora na hora marcada, paravam, onde quer que estivessem -- talvez na rua ou na praça, entre a turba movimentada dos homens -- e aí, em alta voz, recitavam suas orações formais. Tal culto, prestado apenas para glorificação própria, provocou franca censura de Jesus. Todavia Ele não desacoroçoava a oração pública; pois Ele próprio orava com os discípulos e com a multidão. Mas queria incutir em Seus discípulos o pensamento de que suas orações públicas deviam ser breves.
Alguns minutos são o bastante para qualquer oração pública, em geral. Pode haver casos em que as súplicas sejam de modo especial ditadas pelo Espírito de Deus. A alma suplicante fica angustiada, e geme em busca de Deus. O espírito luta, como fez Jacó, e não ficará sossegado sem a manifestação especial do poder de Deus. Em tais ocasiões pode ser justo que a petição se prolongue mais.
Há muitas orações enfadonhas, que parecem mais uma preleção feita ao Senhor, do que o apresentar-Lhe um pedido. Seria melhor se os que assim procedem se limitassem à prece ensinada por Cristo a Seus discípulos. Orações longas são fatigantes para os que as escutam, e não preparam o povo para escutar as instruções que se devem seguir.
É muitas vezes devido à negligência da oração particular, que em público elas são longas e fastidiosas. Não ponham os ministros em suas petições uma semana de negligenciados deveres, esperando expiar essa falta e tranqüilizar a consciência. Tais orações dão freqüentemente em resultado o enfraquecer a espiritualidade de outros.
Antes de subir ao púlpito, o ministro deve buscar a Deus em seu aposento, e pôr-se em íntima comunhão com Ele. Aí pode ele erguer para Deus a alma sedenta, e ser refrigerado com o orvalho da graça. Então, tendo sobre si a unção do Espírito Santo, fazendo-lhe sentir o cuidado das almas, ele não despedirá uma congregação sem lhe haver apresentado a Jesus Cristo, o único refúgio do pecador. Sentindo que talvez nunca mais se encontre com esses ouvintes, dirigir-lhes-á apelos que lhes hão de tocar o coração. E o Mestre, que conhece o coração dos homens, lhe dará expressões, ajudando-o a proferir as palavras que convêm no momento oportuno, e com poder.
Reverência na oração
Alguns consideram ser sinal de humildade orar a Deus de maneira comum, como se estivessem falando com um ser humano. Eles profanam Seu nome misturando desnecessária e irreverentemente em suas orações as palavras -- "Deus, todo-poderoso" -- tremendas e sagradas palavras, que nunca deveriam passar pelos lábios senão em tom submisso, e com sentimento de respeito.
A linguagem floreada é inadequada à oração, seja a petição feita no púlpito, no círculo da família, ou em particular. Especialmente o que ora em público deve servir-se de linguagem simples, para que os outros possam entender o que diz, e unir-se à petição.
É a oração de fé, que vem do coração, que é ouvida no Céu, e atendida na Terra. Deus compreende as necessidades humanas. Sabe o que desejamos antes de Lho pedirmos. Ele vê o conflito da alma com a dúvida e a tentação. Observa a sinceridade do suplicante. Aceita a humilhação da alma e sua aflição. "Mas eis para quem olharei", declara Ele, "para o pobre e abatido de espírito, e que treme da Minha palavra." Isaías 66:2.
Temos o privilégio de orar com confiança, ditando o Espírito nossas petições. Devemos declarar com simplicidade nossas necessidades ao Senhor, e reclamar Sua promessa com tal fé, que os que se acham na congregação conheçam que temos aprendido a prevalecer com o Senhor em oração. Serão animados a crer que a presença do Senhor se acha na reunião, e hão de abrir o coração para receber-Lhe as bênçãos. Sua fé em nossa sinceridade aumentará, e ouvirão atentamente as instruções dadas.
Nossas orações devem ser repassadas de ternura e amor. Ao nos afligirmos por uma compreensão mais profunda e vasta do amor do Salvador, clamaremos a Deus por mais sabedoria. Se jamais houve necessidade de orações e sermões que comovessem a alma, ela existe agora. Acha-se às portas o fim de todas as coisas. Oh! se pudéssemos, como devemos, ver a necessidade de buscar ao Senhor de todo o coração! Então O haveríamos de achar.
Que Deus ensine Seu povo a orar. Aprendam os mestres em nossas escolas, e os ministros em nossas igrejas, diariamente, na escola de Cristo. Então eles hão de orar fervorosamente, e seus pedidos serão ouvidos e satisfeitos. Então a Palavra será proclamada com poder.
Nossa atitude em oração
Tanto no culto público, como no particular, temos o privilégio de curvar os joelhos perante o Senhor ao fazer-Lhe nossas petições. Jesus, nosso exemplo, "pondo-Se de joelhos, orava". Lucas 22:41. Acerca de Seus discípulos acha-se registrado que também se punham de joelhos e oravam. Atos dos Apóstolos 9:40; 20:36; 21:5. Paulo declarou: "... Me ponho de joelhos perante o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo." Efésios 3:14. Ao confessar perante Deus os pecados de Israel, Esdras ajoelhou-se. Esdras 9:5. Daniel "três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante de seu Deus". Daniel 6:10.
A verdadeira reverência para com Deus é inspirada por um sentimento de Sua infinita grandeza, e de Sua presença. Com esse sentimento do Invisível, todo coração deve ser profundamente impressionado. A hora e o lugar da oração são sagrados, porque Deus Se encontra ali, e, ao manifestar-se reverência em atitude e maneiras, o sentimento que inspira essa reverência se tornará mais profundo. "Santo e tremendo é o Seu nome" (Salmos 111:9), declara o salmista. Ao proferirem esse nome, os anjos velam o rosto. Com que reverência, pois, devemos nós, caídos e pecadores, tomá-lo nos lábios!
Bom seria, para velhos e moços, ponderarem as palavras da Escritura que mostram como o lugar assinalado pela presença especial de Deus deve ser considerado. "Tira os teus sapatos de teus pés", ordenou Ele junto à sarça ardente, "porque o lugar em que tu estás é terra santa". Êxodo 3:5. Jacó, depois de contemplar a visão dos anjos, exclamou: "O Senhor está neste lugar e eu não o sabia. ... Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos Céus." Gênesis 28:16, 17.
"O Senhor está no Seu santo templo; cale-se diante dEle toda a Terra." Habacuque 2:20.
Não se exigem orações verbosas, com caráter de sermão, e que são fora de lugar em público. Uma oração breve, feita com fervor e fé, abrandará o coração dos ouvintes; mas durante as orações longas, eles esperam impacientemente, como se desejassem que cada palavra fosse o final da mesma. Houvesse o ministro que faz tal oração lutado com Deus no seu aposento, até sentir que sua fé podia ater-se à promessa: "Pedi, e dar-se-vos-á", e ele havia de ter chegado diretamente ao ponto em sua oração pública, pedindo com fervor e fé graça para si mesmo e seus ouvintes.