Aos administradores do Sanatório de Battle Creek:
Queridos irmãos:
Enquanto me encontrava em Petoskey, tive uma conversa com o médico-chefe de vocês, concernente ao estabelecimento de um lar para órfãos em Battle Creek. Disse-lhe que isso era exatamente o que necessitamos entre nosso povo, e que em empreendimentos como esse estávamos muito à frente de outras denominações.
Nessa minha conversa com ele, expressei o temor de que estejamos centralizando demasiadas responsabilidades em Battle Creek, e mantenho ainda a mesma opinião. É perigoso centralizar tanto numa só localidade. Grande volume de recursos é aplicado num mesmo lugar, ao passo que outras cidades são negligenciadas, as quais se tornarão mais e mais difíceis à penetração do trabalho.
Estive examinando meus escritos, e pude constatar que advertências quanto a esse erro foram enviadas há vários anos. Foi declarado com firmeza que os edifícios de Battle Creek não deveriam ser ampliados, que não se deveria acrescentar construções às instalações ali existentes. Fomos orientados a não acumular interesses em um mesmo lugar, antes ampliar a nossa esfera de ação. Corria-se o perigo de que Battle Creek se tornasse como a Jerusalém dos tempos antigos -- um centro poderoso. Se não prestarmos atenção a estes conselhos, os males que arruinaram Jerusalém nos sobrevirão. Orgulho, exaltação do eu, negligência dos pobres, e parcialidade para com os ricos -- foram esses os pecados de Jerusalém. Hoje, quando grandes interesses são erguidos num mesmo lugar, os obreiros sentem-se tentados a manifestar egoísmo e orgulho. Se cederem a essa tentação, não mais estarão laborando com Deus. Em vez de buscar aumentar nossas responsabilidades em Battle Creek, devemos brava e voluntariamente dividir nossas responsabilidades já existentes ali, distribuindo-as por vários lugares.
Somos "espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens." 1 Coríntios 4:9. Nossa missão é a mesma que foi anunciada por Cristo, no início de Seu ministério, como sendo a Sua missão. Disse Ele: "O Espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-Me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor." Lucas 4:18-19.
Temos o dever de levar avante a obra colocada pelo Mestre em nossas mãos. Ele diz: "Se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares secos, e fortificará teus ossos; e serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas nunca faltam." Isaías 58:10-11. "Pois nunca cessará o pobre do meio da terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado e para o teu pobre na tua terra." Deuteronômio 15:11. "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque essa é a lei e os profetas." Mateus 7:12.
Talvez sejamos tentados a manifestar cobiça, avareza, e a cultivar um insaciável desejo de receber mais. Se cedermos a essa tentação, trará ela sobre nós os mesmos perigos que recaíram sobre a antiga Jerusalém. Fracassaremos em conhecer a Deus e em representá-Lo em Seu verdadeiro caráter. Temos de vigiar atentamente a nós mesmos, não seja o caso de cairmos em virtude da descrença, tal como ocorreu aos judeus. Temos de trabalhar sem qualquer egoísmo. Necessitamos sentir um profundo interesse pelo estabelecimento e expansão de outras instituições, além daquelas sobre as quais temos supervisão. Eu desejaria sinceramente que o Sanatório estivesse a uma boa distância de Battle Creek. Pela luz que por Deus me foi outorgada, sei que isso seria melhor para a espiritualidade e utilidade da instituição. O colégio próximo a Lincoln, Nebraska, afastará um bom número de pessoas de Battle Creek, e isso é o que realmente tem de acontecer. A luz deve irradiar a partir de outros lugares, tanto quanto de Battle Creek. Deus designa que a luz brilhe de diferentes cidades e de várias localidades.
Centralizar tantas coisas num único lugar é um erro; favorece o egoísmo. Battle Creek está recebendo mais do que é capaz de compartilhar, em termos de vantagens. Se os importantes interesses ali estabelecidos se dividissem e subdividissem, outras igrejas seriam fortalecidas. Devemos trabalhar sem qualquer egoísmo na grande vinha do Senhor, dividindo o tempo, o dinheiro, os interesses educacionais, e os institutos ministeriais, de tal modo que um número tão grande quanto possível receba os benefícios. A ambição que leva os homens a centralizar tantas instalações em Battle Creek deve ser restringida, de modo que outros lugares possam ser abençoados com os benefícios que alguns planejaram deixar naquela cidade. Ao empreendermos tanto num só lugar, uma forma errada de educação está sendo provida ao povo.
Planejar tão amplamente em relação a Battle Creek não é sábio. O mundo é o nosso campo de atividades, e o dinheiro gasto nesse único lugar deveria ir muito mais longe, ajudando a desenvolver com sucesso uma obra agressiva em outras partes. Existem muitas cidades nas quais as pessoas necessitam da mensagem do evangelho. Em vez de termos tantos de nossos obreiros de talento centralizados em Battle Creek, homens de santificada habilidade deveriam ser designados para postos de atividade em diferentes locais. Tais homens deveriam demonstrar vivo interesse por outros lugares, estudando meios e modos pelos quais fazer avançar a obra. Não devem deixar-se levar por seu próprio juízo, antes devem unir-se na grande obra. De ano em ano, à medida que a obra se fortaleça nos lugares em que estão trabalhando, devem eles educar e treinar obreiros e enviar ajuda a outros lugares.
Serviço desinteressado
Deve-se estabelecer um limite à expansão de nossas instituições em Battle Creek. O campo é o mundo, e Deus tem interesse por outras partes de Sua grande vinha. Existem igrejas e instituições que estão se desdobrando ao máximo, tentando sobreviver. Que as nossas instituições prósperas procurem formas de fortalecer a obra já existente, mas prestes a morrer. Quão facilmente poderia a grande igreja de Battle Creek destinar alguns de seus recursos para ajudar as igrejas pobres, que estão sendo quase esmagadas sob pesados débitos! Por que devem essas igrejas irmãs ser deixadas, ano após ano, a debater-se com a pobreza e dívidas? O egoísmo resulta em morte espiritual. Quão grande bem poderiam realizar nossas igrejas mais capacitadas se procurassem ajudar as igrejas-irmãs, para que elas possam alcançar uma condição de prosperidade!
Auxílio aos necessitados
Como instrumentos de Deus, cumpre-nos ter coração de carne, cheio da caridade que nos leve a auxiliar aqueles que necessitam mais do que nós mesmos. Se virmos nossos irmãos e irmãs em luta com a pobreza e a dívida, caso vejamos igrejas necessitando de auxílio financeiro, devemos manifestar um desprendido interesse por eles e auxiliá-los na proporção em que Deus nos fez prosperar. Se os que são responsáveis por uma instituição virem outras instituições lutando corajosamente para se equilibrar, de maneira que possam fazer uma obra semelhante à da instituição à qual estão ligados, não sejam invejosos.
Não procurem afastar um elemento de trabalho, e exaltarem-se com uma superioridade agressiva. Antes reduzam alguns dos seus grandes planos e auxiliem os que estão lutando. Ajudem-nos a levar avante alguns dos planos para aumentar suas atividades. Não usem cada dólar para ampliar suas instalações e aumentar suas responsabilidades. Reservem parte dos meios para fundar instituições de saúde e escolas em outros lugares. Vocês necessitam de grande sabedoria para escolher exatamente onde colocar essas instituições, de maneira que o povo seja o mais beneficiado. Todos esses assuntos devem merecer sincera consideração.
Os que se acham em posições de responsabilidade necessitam de sabedoria do alto a fim de agir com justiça, amar a misericórdia e demonstrar interesse, não apenas a uns poucos, mas a todos com quem entrarem em contato. Cristo identifica Seus interesses com os de Seu povo, não importa quão pobre e necessitado seja ele. Devem ser fundadas missões para os negros e todos devem procurar fazer alguma coisa, e imediatamente.
Há necessidade de que sejam estabelecidas instituições em lugares diversos, para que homens e mulheres sejam postos em atividade e façam o seu melhor no temor de Deus. Ninguém deve perder de vista sua missão e obra. Devem todos ter em mira levar a bom termo a obra depositada em suas mãos. Todas as nossas instituições devem conservar isso em mente e esforçarem-se para obter sucesso; ao mesmo tempo, porém, devem elas lembrar-se de que seu sucesso aumentará na proporção em que exercerem desinteressada liberalidade, partilhando sua abundância com instituições que estão lutando para manter-se em pé. Nossas instituições prósperas devem auxiliar as instituições que Deus afirmou que devem viver e prosperar, mas que ainda estão lutando pela sobrevivência. Há entre nós uma parcela muito limitada de amor verdadeiro e desinteressado. Diz o Senhor: "E qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor." "Se nos amarmos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o Seu amor." 1 João 4:7, 8, 12. Não é agradável a Deus ver o homem a olhar exclusivamente para o que é propriamente seu, fechando os olhos aos interesses dos outros.
O que uma instituição pode fazer por outra
Na providência de Deus o Sanatório de Battle Creek prosperou grandemente, e durante o ano vindouro os que cuidam dele devem restringir os seus projetos. Em lugar de fazerem tudo o que gostariam para aumentar as suas instalações, devem eles realizar trabalho desinteressado para Deus, estendendo a mão da beneficência aos interesses centralizados em outras partes. Que benefício não poderiam eles conceder ao Retiro Rural da Saúde, em Santa Helena, ao darem alguns milhares de dólares para este empreendimento! Tal donativo estimularia os que estão encarregados, inspirando-os a se movimentarem para frente e para o alto.
Foram feitas doações ao Sanatório de Battle Creek no início de sua história, e não deveria essa instituição considerar cuidadosamente o que fazer pela instituição irmã na Costa do Pacífico? Meus irmãos de Battle Creek, não parece estar de acordo com a ordem divina se restringirem a suas necessidades, diminuírem seus gastos com construções e não aumentarem as nossas instituições nesse centro? Por que não consideram ser um privilégio e dever auxiliar os que necessitam de ajuda?
Reforma necessária
Fui instruída de que uma reforma é necessária em todos esses aspectos, a fim de que possa haver mais liberalidade entre nós. É constante o perigo de que mesmo os adventistas do sétimo dia sejam vencidos pela ambição egoísta e queiram concentrar todos os meios e energias nos interesses de cuja direção estão à frente de modo especial. Há o perigo de que os homens permitam que um sentimento de ciúme se desperte em seu coração e de que eles se tornem invejosos de interesses tão importantes quanto os que dirigem. Os que experimentam a graça do cristianismo puro não podem olhar com indiferentismo a qualquer parte da obra na grande vinha do Senhor. Aqueles que estão verdadeiramente convertidos demonstrarão igual interesse pela obra em todas as partes da vinha e estarão prontos para ajudar onde quer que haja necessidade de auxílio.
É o egoísmo que impede os homens de enviar auxílio aos lugares em que a obra de Deus não é tão próspera quanto as instituições sobre as quais eles mantêm supervisão. Os que têm responsabilidades devem cuidadosamente buscar o bem-estar de cada ramo da causa e obra de Deus.
Devem incentivar e manter os interesses dos outros campos, tanto quanto os interesses do seu próprio. Assim os laços da fraternidade serão fortalecidos entre os membros da família de Deus na Terra e se fecharão as portas às rivalidades e aos ressentimentos mesquinhos que a posição e a prosperidade certamente despertarão, a não ser que a graça de Deus controle o coração.
"E digo isto", escreve Paulo, "que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância também ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra. ... Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se dêem graças a Deus. Porque a administração deste serviço, não só supre as necessidades dos santos, mas também abunda em muitas graças, que se dão a Deus. Visto como, na prova desta administração, glorificam a Deus pela submissão que confessais quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade de vossos dons para com eles, e para com todos; e pela sua oração por vós, tendo de vós saudades, por causa da excelente graça de Deus que em vós há. Graças a Deus pois pelo Seu dom inefável." 2 Coríntios 9:6-8, 11-15.
O princípio da fraternidade
A lei de Deus só é cumprida quando as pessoas O amam com todo o coração, mente, espírito e força, bem como a seu próximo como a si mesmas. É a manifestação desse amor que glorifica a Deus nas maiores alturas, e na Terra promove a paz e a boa vontade entre os homens. O Senhor é glorificado quando o grande objetivo de Sua lei é alcançado. A obra do Espírito Santo através do tempos é impregnar de amor o coração das pessoas, pois o amor é o princípio vivo da fraternidade.
Nenhum recanto da alma deve abrigar uma ponta de egoísmo.
Deus deseja que os planos do Céu sejam postos em execução, e que a divina ordem e harmonia celestial prevaleçam em cada família, em cada igreja, em cada instituição. Fosse esse amor deixado a fermentar a sociedade, e veríamos a operação de nobres princípios em refinamento, cortesia cristã e em caridade para com aqueles que foram adquiridos pelo sangue de Cristo. Uma transformação espiritual seria notada em todas as nossas famílias, instituições e igrejas. Quando essa transformação ocorrer, todas as agências se tornarão instrumentos pelos quais Deus repartirá luz do Céu ao mundo e assim, mediante divina educação e disciplina, capacitará homens e mulheres para a sociedade do Céu.
Jesus foi aprontar mansões para os que se estão preparando, mediante Seu amor e graça, para as habitações de bem-aventurança. Na família de Deus, no Céu, não será encontrada uma única pessoa egoísta. A paz e harmonia das cortes celestiais não serão perturbadas pela presença de alguém que seja rude ou indelicado. Aquele que, neste mundo, exalta o eu na tarefa que lhe é dada realizar, jamais verá o reino de Deus, a menos que modifique seu espírito, a não ser que se torne meigo e suave, revelando a simplicidade de uma pequena criança.
O único caminho seguro
Aqueles que ocupam posições de responsabilidade em nossas instituições deveriam buscar diariamente o caminho do Senhor. Não deveriam sentir-se qualificados a escolher seu próprio modo de ação; se assim fizerem, andarão à luz das centelhas produzidas por sua própria candeia. Somente Deus deve ser o seu guia. Os que estão em busca de uma esfera mais ampla, que desejam possuir liberdade mais extensa do que Deus indica, os que fracassam em torná-Lo seu conselheiro, sua sabedoria, sua santificação e sua justiça, jamais herdarão a coroa da vida. Dia após dia, a alma necessita da religião de Cristo. Aqueles que se abeberam profundamente do Espírito Santo não terão ambições em relação a si próprios. Terão consciência de que não devem ultrapassar os domínios de Deus, pois Ele reina em toda a parte.
Aquele que se sente plenamente satisfeito em receber sua comissão do alto, será animado pelas promessas de Deus sempre que buscar a prática da justiça e do correto julgamento. Possuir inabalável confiança em Deus, ser um praticante de Sua vontade, é perseguir um curso seguro de ação. O conselho de Deus simplifica as perplexidades das transações comerciais e dos afazeres domésticos. Os seguidores de Cristo cujos olhos sempre focalizam a glória de Deus possuirão sabedoria celestial. Constitui, entretanto, um doloroso fato que em nossas igrejas e instituições ocorre grande falta de genuíno cristianismo. Queira o Senhor ajudar os que assumem responsabilidades a se unirem uns aos outros no trabalho, tornando-se todos colaboradores de Deus.
Cristo disse aos discípulos: "Vós sois a luz do mundo." Mateus 5:14. Assim, quão importante é que cada pessoa mantenha sua luz acesa e radiante, para que possa iluminar a todos com os quais entra em contato. Deus tornou Seu povo o depositário de Sua sagrada verdade. Os talentos lhes foram concedidos a fim de serem sabiamente aperfeiçoados, pois Deus designa que, através de constante uso, sejam multiplicados os talentos.
O perigo da expansão
Meus irmãos, a ampliação de suas instalações, o aumento no número de membros, não está sendo feito de acordo com a ordem do Senhor. Grandes construções exigem grandes investimentos, e grandes gastos reclamam homens de boa educação e talento, assim como homens de profunda experiência religiosa, para conduzir essas instituições de acordo com a vontade de Deus; manejá-las com tato e habilidade demanda que ocorra um aumento geral da experiência espiritual, que o temor de Deus circule por todo o Sanatório, de modo que o patrocínio segundo o modelo mundano não amoldará nem determinará como devem ser as coisas em nosso meio, levando a instituição a deixar de ser o que Deus designou que fosse -- um refúgio para o pobre e oprimido. Os que se apegam firmemente à verdade não deveriam ser postos de lado em benefício dos mundanos. Os preços não deveriam ser colocados em nível tão elevado, a ponto de os pobres, que representam uma grande proporção, venham a ser excluídos dos benefícios do Sanatório.
Com o presente conjunto de talentos e instalações, é impossível que o médico-chefe realize tudo que é essencial nos vários ramos de atividade e departamentos, por mais que deseje fazê-lo. Não lhe é possível oferecer supervisão pessoal a todas as partes do trabalho.
Essa questão tem sido aberta diante de mim vez após outra. Ao passo que ocorre um contínuo crescimento da instituição, ao mesmo tempo que os edifícios estão sendo ampliados, não ocorre um correspondente acréscimo nos talentos e capacidade necessários para a administração de tão grande empreendimento. Porventura considerarão o médico-chefe e os demais membros do comitê diretivo essa questão? Meu irmão, você não é imortal. Agradeço a Deus que você seja tão sábio no tocante a sua saúde quanto o é. Mas não lhe será possível prosseguir sempre e sempre atuando do modo como agora o faz. Sua saúde poderá falhar. Sua vida é incerta, e foi-me mostrado que deveria existir no Sanatório uma equipe de trabalho três vezes maior do que aquela que hoje existe. Mesmo assim, os obreiros teriam uma quantidade excessiva de tarefas a realizar, desde que as desejassem fazer bem-feitas.
A questão dos salários
A instituição está agora em boas condições, e seus dirigentes não devem insistir em manter os baixos níveis dos salários, como em seus primeiros anos. Os obreiros dignos e eficientes devem receber salários justos pelo seu trabalho, e se lhes deve permitir exercer o seu próprio juízo quanto ao uso que devem fazer dos seus proventos. Em caso algum devem eles ser sobrecarregados. Os próprio médico-chefe deve receber maiores salários.
Desejo dizer ao médico-chefe: Embora não tenha o assunto dos salários sob sua supervisão pessoal, é melhor que atente cuidadosamente para esse problema; pois é de sua responsabilidade, como líder da instituição. Não imponha aos obreiros tantos sacrifícios. Restrinja sua ambição de aumentar a instituição e acumular responsabilidades. Permita que alguns dos meios que fluem para o sanatório sejam canalizados para as instituições que necessitam de auxílio. Com certeza será melhor assim. Está de acordo com a vontade e a direção divinas, e trará a bênção de Deus ao sanatório.
Desejo dizer particularmente ao conselho de diretores: "Lembrem-se de que os obreiros devem ser pagos de acordo com a sua fidelidade. Deus deseja que tratemos os outros com a mais absoluta fidelidade. Alguns de vocês estão sobrecarregados de cuidados e responsabilidades, e fui instruída de que há o perigo de se tornarem egoístas e injustos para com aqueles a quem empregam."
Cada transação comercial, quer seja realizada com um obreiro que ocupe posição de responsabilidade, quer com o mais humilde obreiro relacionado com o sanatório, deve ser tal que Deus possa aprovar. Devemos andar na luz enquanto há luz, para que as trevas não nos alcancem. Será muito melhor gastar menos em construções, e dar aos obreiros salários que correspondam ao valor do seu trabalho, tratando-os com misericórdia e justiça.
De acordo com a luz que o Senhor me concedeu, sei que Ele não está contente com muitas coisas que têm ocorrido com referência aos nossos obreiros. Deus não me revelou cada aspecto, mas têm vindo advertências de que em muitas coisas é necessário decidida reforma. Foi-me mostrado que há necessidade de que pais e mães em Israel estejam unidos com a instituição. Devem ser empregados homens e mulheres consagrados que, por não se acharem constantemente opressos por cuidados e responsabilidades, possam zelar pelo interesse espiritual dos empregados. É necessário que tais homens e mulheres estejam constantemente em atividade nos setores missionários dessa grande instituição. Não está sendo feito nem metade do que poderia ser realizado nesse sentido. Deve ser função desses homens e mulheres trabalhar pelos que estão empregados nas fileiras espirituais, dando-lhes instrução que lhes ensine a ganhar almas, mostrando-lhes que isso deve ser feito não pelo muito falar, mas por uma vida coerente e semelhante à de Cristo. Os obreiros estão expostos a influências mundanas, mas em vez de serem moldados por essas influências, devem ser consagrados missionários, controlados por uma influência que eleva e aprimora. Dessa forma aprenderão a ir ao encontro dos descrentes e a exercer uma influência que, os conquistará para Cristo.
Resumo de uma carta escrita em Cooranbong, Austrália, em 28 de Agosto de 1895
Deus tem uma obra para cada pessoa que trabalha no sanatório. Cada enfermeiro deve ser um conduto de bênção, recebendo iluminação do alto e deixando-a brilhar sobre os outros. Os obreiros não devem ser influenciados pelos modismos dos que procuram o sanatório em busca de tratamento, mas devem consagrar-se a Deus. A atmosfera que os circunda deve ser um cheiro de vida para a vida. As tentações os assediarão de todos os lados, mas eles devem pedir a Deus Sua presença e guia. Disse o Senhor a Moisés: "Certamente Eu serei contigo" (Êxodo 3:12); e a todo obreiro fiel e consagrado é dada a mesma certeza.