Testemunhos para a Igreja, 8

Capítulo 34

Cristo é Nosso Exemplo

Aos Médicos Missionários

O que mais se faz necessário aos médicos-missionários é a orientação do Espírito do Senhor. Aqueles que atuam como Cristo, o grande Médico-Missionário, precisam ter uma disposição espiritual. Mas nem todos os que estão praticando a obra médico-missionária estão exaltando a Deus e Sua verdade. Nem todos estão se submetendo à orientação do Espírito Santo. Alguns estão acumulando junto aos alicerces madeira, feno e restolho -- materiais que não suportarão a prova do fogo.

Oro para que tenha a sabedoria e o poder de Deus para apresentar diante de vocês aquilo que constitui a obra médico-missionária do evangelho. Esse é um grande e importante setor de nossa obra denominacional. Muitos, contudo, têm perdido de vista os puros e enobrecedores princípios que devem constituir a base de uma obra médico-missionária aceitável.

Em meu diário, encontrei o seguinte texto, escrito há um ano:

29 de Outubro de 1902. Despertei cedo, nesta manhã. Depois de orar intensamente por sabedoria e clareza de mente, para que pudesse expressar de maneira adequada os assuntos para os quais foi chamada a minha atenção, escrevi cerca de dez páginas de instruções. Sei que o Senhor me ajudou a colocar no papel o importante assunto que deve ser colocado diante de Seu povo.

Enquanto escrevia sobre a questão, senti enorme peso, mas depois que as instruções foram registradas, um alívio me sobreveio à mente; pois eu sabia que o assunto que me fora apresentado não se perderia, mesmo que escapasse de minha mente.

Só aqueles que compreendem ser a cruz o fundamento da esperança para a família humana são capazes de entender o evangelho ensinado por Cristo. Veio Ele a este mundo sem outro propósito que não o de colocar o homem em terreno vantajoso diante do mundo e do universo celestial. Veio para revelar o testemunho de que seres humanos decaídos, através da fé em Seu poder e eficácia como Filho de Deus, são capazes de tornar-se participantes da natureza divina. Tão-somente Ele poderia realizar a expiação pelos pecadores e abrir as portas do paraíso à raça caída. Assumiu sobre Si, não a natureza dos anjos, senão a do homem, e viveu aqui no mundo uma vida não contaminada pelo pecado. "E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai." "Mas a todos quantos O receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no Seu nome." João 1:14, 12.

Por Sua vida e morte, Cristo ensinou que unicamente pela obediência aos mandamentos de Deus pode o homem encontrar segurança e verdadeira grandeza. "A lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma." Salmos 19:7. A lei de Deus é um transcrito de Seu caráter. Foi concedida ao homem no princípio como padrão de obediência. Em sucessivas eras essa lei foi perdida de vista. Centenas de anos após o dilúvio, Abraão foi chamado, e foram-lhe outorgadas as promessas de que seus descendentes exaltariam a lei de Deus. No decorrer do tempo, os israelitas foram para o Egito, onde por muitos anos sofreram feroz opressão nas mãos dos habitantes do país. Depois de haverem estado sob escravidão durante aproximadamente quatrocentos anos, Deus os libertou por intermédio de poderosas manifestações de Sua força. Revelou-Se aos egípcios como o Governador do Universo, Aquele que era maior que todas as divindades pagãs.

No Sinai, foi a lei outorgada pela segunda vez. Em espantosa grandeza o Senhor proferiu os Seus preceitos, e com Seu próprio dedo gravou o Decálogo em tábuas de pedra.

Percorrendo os séculos, constatamos que chegou um tempo em que a lei de Deus precisou uma vez mais ser revelada de modo inconfundível como o padrão de obediência. Cristo veio para vindicar os sagrados reclamos da lei. Veio para viver uma vida de obediência a seus requisitos, provando assim a falsidade das acusações feitas por Satanás, de que era impossível ao homem guardar a lei de Deus. Como homem, enfrentou Ele a tentação e triunfou sobre ela no poder que Deus Lhe concedeu. Enquanto prosseguia fazendo o bem e curando a todos os afligidos por Satanás, tornou bem claro aos homens o caráter da lei de Deus e a natureza de Sua missão. Sua vida testifica de que também a nós é possível obedecer à lei de Deus.

Jamais Se desviou Cristo da lealdade aos princípios da lei de Deus. Nunca realizou qualquer coisa contrária à vontade de Seu Pai. Diante de anjos, homens e demônios, pôde proferir palavras que, provindas de quaisquer outros lábios, haveriam constituído blasfêmia: "Eu faço sempre o que Lhe agrada." João 8:29. Dia a dia, durante três anos, Seus inimigos O acompanharam, tentando encontrar alguma falha em Seu caráter. Satanás, com toda a sua confederação maligna, procurou sobrepujá-Lo; mas não encontraram coisa alguma nEle, pela qual pudessem obter vantagem. Mesmo os demônios tiveram de reconhecer: "Bem sei quem és: o Santo de Deus." Marcos 1:24.

Auto-sacrifício

Que linguagem poderia tão adequadamente expressar o amor de Deus pela família humana quanto aquela expressa no dom de Seu Filho unigênito em favor de nossa redenção? O Inocente suportou o castigo do culpado. "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele. Quem crê nEle não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus." João 3:16-18.

Cristo Se deu, como sacrifício expiatório, para a salvação de um mundo perdido. Foi tratado como nós merecemos, a fim de podermos ser tratados como Ele merece. Foi condenado pelos nossos pecados, nos quais não tinha participação, para que pudéssemos ser justificados por Sua justiça, na qual não tínhamos parte. Sofreu a morte que nos cabia, a fim de podermos receber a vida que Lhe pertencia. "Pelas Suas pisaduras fomos sarados." Isaías 53:5.

Cristo foi tentado em todos os pontos como nós, por aquele que no passado estivera lealmente a Seu lado nas cortes celestiais. Contemplem o Filho de Deus no deserto da tentação, em tempos de grande fraqueza, assaltado pela mais feroz tentação. Vejam-nO durante Seus anos de ministério, atacado por todos os lados pelas forças do mal. Observem-nO em agonia sobre a cruz. Tudo isso Ele sofreu por nós!

A vida terrena de Cristo, tão cheia de labuta e sacrifício, foi encorajada com o pensamento de que Ele não veria frustrados todos os Seus esforços. Ao dar a vida pela vida dos homens, traria o mundo de volta à lealdade. Embora devesse primeiro receber o batismo de sangue, conquanto os pecados do mundo estivessem a pesar sobre a Sua alma inocente, ainda assim, pelo gozo que Lhe estava proposto escolheu suportar a cruz e desprezar a afronta.

Estudemos a definição de Cristo do que seja um verdadeiro missionário: "Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-Me." Marcos 8:34. Seguir a Cristo, conforme está expresso nessas palavras, não é uma presunção, uma farsa. Espera Jesus que os Seus discípulos Lhe sigam de perto os passos, suportando o que Ele suportou, sofrendo o que Ele sofreu, vencendo como Ele venceu. Espera Ele ansiosamente ver os Seus professos seguidores revelarem o espírito de renúncia.

Os que recebem a Cristo como Salvador pessoal, preferindo ser participantes do Seu sofrimento, viver-Lhe a vida de desprendimento, suportar afronta por Sua causa, entenderão o que significa ser um verdadeiro médico-missionário.

Quando todos os nossos médicos-missionários viverem a nova vida em Cristo, quando tiverem como guia a Sua Palavra, terão uma compreensão muito mais clara do que constitui a genuína obra médico-missionária. Esse trabalho assumirá um sentido mais profundo para eles ao prestarem obediência implícita à lei gravada em tábuas de pedra pelo dedo de Deus, inclusive o mandamento do sábado, a respeito do qual o próprio Cristo falou por meio de Moisés aos filhos de Israel dizendo:

"Tu pois fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis Meus sábados; porquanto isso é um sinal entre Mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que Eu sou o Senhor, que vos santifica." "Guardarão pois o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo. Entre Mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre." Êxodo 31:13, 16, 17.

Estudemos diligentemente a Palavra de Deus, para que possamos proclamar com poder a mensagem que deve ser dada nestes últimos dias. Muitos daqueles sobre os quais brilha a luz da vida de renúncia do Salvador se recusam a viver em conformidade com Sua vontade. Não estão dispostos a ter uma vida de sacrifício para o bem dos outros. Desejam exaltar a si mesmos. Para esses, a verdade e a justiça perderam o significado, e em sua influência dessemelhante à de Cristo levam muitos a se afastarem do Salvador. Deus chama obreiros fiéis e resolutos, cuja vida neutralize a influência daqueles que estão trabalhando contra Ele.

Sou instruída a dizer a todo obreiro médico-missionário: Siga o Líder. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele é seu exemplo. Que todos os obreiros médicos-missionários assumam a responsabilidade de ter em vista a vida de serviço altruísta de Cristo. Devem eles conservar os olhos fixos em Jesus, o autor e consumador de sua fé. É Ele a fonte de toda a luz, a base de toda bênção.

Posição firme em favor do direito

Deus convoca Seus obreiros, nesta época de fingida piedade e pervertidos princípios, a revelarem uma espiritualidade saudável e influente. Meus irmãos e irmãs, isso Deus requer de vocês. Cada parcela de sua influência deve ser empregada do lado de Cristo. Vocês precisam agora identificar as coisas por seus verdadeiros nomes, permanecendo firmes em defesa da verdade tal qual é em Jesus.

É necessário que toda pessoa cuja vida se encontra escondida com Cristo em Deus venha agora para a frente de batalha e lute em favor da fé uma vez entregue aos santos. A verdade precisa ser defendida e o reino de Deus levado a avançar, tal como se Cristo estivesse pessoalmente na Terra. Se Ele aqui estivesse, certamente reprovaria muitos que, embora professando ser médicos missionários, não tomaram a decisão de aprender da mansidão e bondade do Grande Médico missionário. Na vida de alguns que ocupam posições elevadas na obra médico-missionária, o eu é que tem sido exaltado. Até que essas pessoas triunfem sobre todo desejo de projetar o eu, não serão capazes de discernir claramente o caráter de Cristo, nem realizar a obra que Ele empreendeu.

Quando o Espírito Santo controlar a mente de nossos membros da igreja, o resultado será, na igreja, na linguagem, no ministério, na espiritualidade, mais alta norma do que agora existe. Os membros da igreja serão refrigerados pela água da vida, e os obreiros, trabalhando sob as ordens de um único Líder, o próprio Cristo, revelarão o Seu Mestre no espírito, nas palavras, nos atos, e animar-se-ão mutuamente para avançar no glorioso trabalho de finalização em que nos empenhamos. Haverá substancial aumento de unidade e amor, que testificarão para o mundo que Deus enviou Seu Filho para morrer pela redenção dos pecadores. A verdade divina será exaltada; e ao brilhar como uma lâmpada acesa, compreendê-la-emos com maior, muito maior clareza.

A verdade que constitui o parâmetro para o tempo atual não é de elaboração de qualquer mente humana. Provém de Deus. É filosofia genuína para os que dela se apropriam. Cristo tornou-Se carne para que nós, através da fé na verdade, pudéssemos ser santificados e redimidos. Que se levantem aqueles que sustentam a verdade em justiça, e avancem calçados com a preparação do evangelho da paz, para proclamarem a verdade àqueles que não a conhecem. Que preparem caminhos retos para seus pés, para que nem os coxos se desviem do caminho.

Temos que nos unir agora e, através da verdadeira obra médico-missionária, preparar o caminho para o nosso Rei vindouro. Lembremo-nos, porém, de que a unidade cristã não quer dizer que a identidade de uma pessoa deva submergir-se na de outra, também não quer dizer que a mente de um deva ser guiada e controlada pela mente de outro. Deus não deu a homem algum o poder que alguns, por palavra e atos, procuram reivindicar. Deus requer que todo homem siga as direções da Palavra.

Cresçamos no conhecimento da verdade, oferecendo todo louvor e glória Àquele que é Um com o Pai. Busquemos com mais intensidade a unção celestial, o Santo Espírito. Desenvolvamos um cristianismo puro e sempre crescente, de modo que nas cortes celestiais possamos finalmente ser considerados completos em Cristo.

"Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro!" Mateus 25:6. Não percam agora tempo em espevitar e fazer brilhar as suas luzes. Não percam tempo diante da busca de perfeita unidade uns com os outros. Temos de estar preparados para as dificuldades. Provações sobrevirão. Cristo, o Capitão de nossa salvação, tornou-Se perfeito em meio ao sofrimento. Seus seguidores se defrontarão muitas vezes com o inimigo e serão severamente provados; não necessitam, contudo, entrar em desespero. Cristo lhes diz: "Tende bom ânimo; Eu venci o mundo." João 16:33.

As linhas seguintes retratam a batalha do cristão:

"Pensava eu que do cristão para o Céu o caminho Fosse claro como o sol, como a manhã de virtude. Tu me mostraste o caminho: era escuro e rude, Pontilhado de pedra, crivado de espinhos; Sonhei com celestial recompensa que perdura; Pedi o ramo de palma, as vestes e a coroa; Pedi, mas me mostraste a cruz e a sepultura!"

"Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente e fortalecei-vos. Todas as vossas coisas sejam feitas com caridade." 1 Coríntios 16:13, 14.