Cristo nos comprou ao preço de Seu próprio sangue. Ele pagou o resgate necessário à nossa redenção, e se nos apropriarmos do tesouro, ele será nosso por dádiva gratuita de Deus.
"Quanto deves ao meu Senhor?" Lucas 16:5. É impossível calcular. Tudo o que temos vem de Deus. Ele coloca Suas mãos sobre as nossas posses, dizendo: "Sou o genuíno Proprietário de todo o Universo; estes bens são Meus. Consagrem para Mim os dízimos e as ofertas. Quando vocês trouxerem esses bens específicos como um sinal de lealdade e submissão à Minha soberania, a Minha bênção aumentará as posses de vocês, e assim terão em abundância."
Deus está provando cada pessoa que afirma crer nEle. Todos recebemos talentos. O Senhor deu aos homens os Seus bens, com os quais devem negociar. Tornou-os Seus mordomos, colocando em suas mãos dinheiro, casas e terras. Todos esses bens devem ser considerados como pertencendo ao Senhor, e destinados ao avanço de Sua causa, para a construção de Seu reino aqui no mundo. Ao negociarmos com os bens do Senhor, devemos buscar dEle a sabedoria, a fim de não utilizarmos o Seu sagrado encargo para a glorificação de nós mesmos e a condescendência com impulsos egoístas. O montante recebido varia, porém aqueles que menos receberam não devem sentir que, em virtude de terem poucos talentos, nada serão capazes de empreender com eles.
Cada cristão é um mordomo de Deus, a quem foram confiados os Seus bens. Lembrem-se das palavras: "Requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel." 1 Coríntios 4:2. Asseguremo-nos de que não estamos roubando a Deus em um jota sequer, pois muito se encontra envolvido nessa questão.
Todas as coisas pertencem a Deus. Podem os homens ignorar Seus reclamos. Enquanto abundantemente derrama Suas bênçãos sobre eles, talvez estejam usando tais bênçãos para satisfação egoísta, mas por certo serão chamados a prestar contas de sua mordomia.
O mordomo identifica-se com o patrão. Aceita as responsabilidades de um mordomo e age em lugar do dono da casa, fazendo o que ele faria se estivesse presidindo. Os interesses do senhor tornam-se seus. A posição do mordomo é dignidade, porque o patrão nele confia. Se, de algum modo, atuar egoistamente, e reverter as vantagens obtidas pelo negociar com os bens de seu senhor em proveito próprio, trai a confiança nele depositada.
O sustento do evangelho
O Senhor fez com que a proclamação do evangelho dependesse do trabalho e dádivas voluntárias de todo o Seu povo. Aquele que proclama a mensagem de misericórdia aos homens caídos, tem outra obra a fazer -- apresentar ao povo o dever de sustentar a obra de Deus com seus recursos. Precisa ensinar às pessoas que uma parte de suas rendas pertence a Deus, e deve ser dedicada religiosamente à Sua obra. Essa lição tem que ser apresentada, tanto por preceito como pelo exemplo; deve, portanto, ter o cuidado de que, pelo próprio exemplo, não enfraqueça a força de seu ensino.
Aquilo que, de acordo com as Escrituras, foi posto à parte, como pertencendo ao Senhor, constitui a renda do evangelho, e não mais nos pertence. Não é nada menos que sacrilégio, uma pessoa lançar mão do tesouro do Senhor a fim de se servir, ou a outros, em seus negócios temporais. Alguns são culpados de haver retirado do altar do Senhor aquilo que Lhe foi especialmente consagrado. Todos devem considerar esse assunto sob seu verdadeiro aspecto. Ninguém, vendo-se em situação precária, tire dinheiro consagrado a fins religiosos, empregando-o para seu próprio proveito, e acalmando a consciência com o dizer que o restituirá futuramente. Prefira cortar as despesas de acordo com as rendas que tem, restringir as necessidades e viver de acordo com os meios, a usar o dinheiro do Senhor para fins seculares.
O emprego do dízimo
Deus deu orientação especial quanto ao emprego do dízimo. Ele não quer que Sua obra seja entravada por falta de meios. Para que não haja uma obra acidental, nem engano, Ele tornou bem claro o nosso dever sobre esses pontos. A porção que Deus reservou para Si não deve ser desviada para qualquer outro desígnio que não aquele por Ele especificado. Ninguém se sinta na liberdade de reter o dízimo, para empregá-lo segundo seu juízo. Não devem servir-se dele numa emergência, nem usá-lo segundo lhes pareça justo, mesmo no que possam considerar como obra do Senhor.
O pastor deve, por preceito e exemplo, ensinar o povo a considerar o dízimo como sagrado. Não deve pensar que o pode reter e aplicar conforme o seu próprio juízo, por ser pastor. Não lhe pertence. Ele, pastor, não tem a liberdade de separar para si o que pense pertencer-lhe. Não deve apoiar qualquer plano para desviar de seu legítimo emprego os dízimos e ofertas dedicados a Deus. Eles devem ser postos em Seu tesouro, e mantidos sagrados para o serviço dEle, de acordo com o que designou.
Deus deseja que todos os Seus mordomos sejam exatos no seguir os planos divinos. Eles não os devem alterar para praticar alguns atos de caridade, ou dar algum donativo ou oferta quando e como eles, os agentes humanos, acharem oportuno. É um lamentável método da parte dos homens, procurarem melhorar os planos de Deus, inventando expedientes, tirando uma média de seus bons impulsos, contrapondo-os às reivindicações divinas. Deus requer de todos que ponham sua influência do lado de Seu plano. Ele o tornou conhecido; e todos quantos quiserem cooperar com Ele, têm de levar avante esse plano, em vez de ousar tentar melhorá-lo.
O Senhor instruiu a Moisés quanto a Israel: "Tu, pois, ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras, batido, para o candeeiro, para fazer arder as lâmpadas continuamente." Êxodo 27:20. Isso deveria ser uma oferta contínua, para que a casa de Deus fosse devidamente provida do que era necessário para Seu serviço. Seu povo de hoje precisa lembrar que a casa de culto é propriedade do Senhor, e que deve ser escrupulosamente cuidada. Mas o fundo para essa obra não deve provir do dízimo.
Uma mensagem muito clara, definida, me foi dada para nosso povo. É-me ordenado dizer-lhes que estão cometendo um erro em aplicar os dízimos a vários fins, os quais, embora bons em si mesmos, não são aquilo em que o Senhor disse que o dízimo deve ser aplicado. Os que assim o empregam, estão-se afastando do plano de Deus. Ele os julgará por essas coisas.
Um raciocina que o dízimo pode ser aplicado para fins escolares. Outros argumentam ainda que os colportores devem ser sustentados com o dízimo. Comete-se grande erro quando se retira o dízimo do fim em que deve ser empregado -- o sustento dos pastores. Deveria haver hoje no campo uma centena de obreiros bem habilitados, onde existe unicamente um.
Uma obrigação solene
O dízimo é sagrado, reservado por Deus para Si mesmo. Tem de ser trazido ao Seu tesouro, para ser empregado em manter os obreiros do evangelho em seu trabalho. Durante longo tempo, o Senhor tem sido roubado, porque há pessoas que não compreendem ser o dízimo a porção que Deus reserva para Si. Alguns se têm sentido insatisfeitos, e afirmado: "Não devolverei mais o dízimo; pois não confio na maneira como as coisas estão sendo dirigidas na sede da obra." Roubará, porém, a Deus, por pensar que a direção da obra não é correta? Apresente sua queixa franca e abertamente, no devido espírito, e às pessoas competentes. Solicite em suas petições que as coisas sejam corrigidas e colocadas em ordem; mas não se retire da obra de Deus, nem se demonstre infiel porque outros não estejam fazendo o que é correto.
Leia atentamente o terceiro capítulo de Malaquias, e veja o que diz o Senhor a respeito do dízimo. Se nossas igrejas tomarem sua posição baseadas na Palavra do Senhor, e forem fiéis na devolução do dízimo ao Seu tesouro, mais obreiros seriam animados a entrar para a obra ministerial. Mais homens se dedicariam ao ministério, não estivessem eles informados da escassez do tesouro. Deveria haver abundante provisão no tesouro do Senhor, e haveria, se corações e mãos egoístas não houvessem retido os dízimos, ou os empregado para sustentar outros ramos de trabalho.
Os exclusivos recursos de Deus não devem ser usados a esmo. O dízimo pertence ao Senhor, e todos aqueles que laçam mão dele serão punidos com a perda de seu tesouro celestial, a menos que se arrependam. Que a obra não continue mais a ser impedida porque o dízimo foi desviado para vários fins diversos daquele para que o Senhor disse que devia ir. Provisões têm de ser feitas para esses outros ramos da obra. Eles devem ser mantidos, mas não pelo dízimo. Deus não mudou; o dízimo tem de ser ainda empregado para a manutenção do ministério. A abertura de novos campos requer mais eficiência ministerial do que possuímos agora, e é preciso haver meios no tesouro.
Os que saem como pastores, têm uma solene responsabilidade pesando sobre eles, a qual é estranhamente negligenciada. Alguns gostam de pregar, mas não dedicam trabalho pessoal às igrejas. Há grande necessidade de instruções relativamente a obrigações e deveres para com Deus, especialmente no que respeita à devolução honesta do dízimo. Nossos pastores sentir-se-iam grandemente entristecidos se não fossem prontamente pagos por seu trabalho; mas, consideram eles que deve haver fundos no tesouro de Deus, com que se sustentem os obreiros? Se deixam de cumprir todo o seu dever em educar o povo a ser fiel no devolver a Deus o que Lhe pertence, haverá falta de meios no tesouro para levar avante a obra do Senhor.
Deve o superintendente do rebanho de Deus se desempenhar fielmente de seu dever. Se, por algum motivo, isso lhe é desagradável e ele toma a atitude de deixar que qualquer outro o faça, não é um obreiro fiel. Leia ele as palavras do Senhor em Malaquias, acusando o povo de roubo para com Ele ao reter os dízimos. O poderoso Deus declara: "Com maldição sois amaldiçoados." Malaquias 3:9. Quando aquele que ministra por palavra e doutrina, vê o povo seguindo um caminho que trará sobre si essa maldição, como pode negligenciar seu dever de dar instruções e advertências? Todo membro de igreja deve ser ensinado a ser fiel em devolver um dízimo honesto.
"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na Minha casa, e depois fazei prova de Mim, diz o Senhor dos Exércitos, se Eu não vos abrir as janelas do Céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança." Malaquias 3:10.
Oro para que meus irmãos compreendam que a mensagem do terceiro anjo representa muito para nós, e que a observância do verdadeiro sábado deve constituir um sinal distintivo entre aqueles que servem a Deus e os que não O servem. Que despertem os que, indiferentes, chegaram a adormecer. Somos chamados a ser santos, e devemos evitar cuidadosamente dar a impressão de que é de menor importância se conservamos ou não os sinais peculiares de nossa fé. Sobre nós repousa a dourada obrigação de tomarmos uma posição mais firme em favor da verdade e da justiça, do que assumimos no passado. A linha de demarcação entre os que guardam os mandamentos de Deus e os que não os guardam deve ser revelada com inconfundível clareza. Conscienciosamente devemos honrar a Deus, utilizando-nos com diligência de todos os meios disponíveis para nos mantermos em relação de concerto com Ele, de modo a podermos receber as Suas bênçãos -- tão essenciais para um povo que será severamente provado. Se dermos a impressão de que nossa fé ou nossa religião não representam um poder dominante em nossa vida é algo que desonra grandemente a Deus. Assim nos afastamos de Seus mandamentos, os quais são a nossa vida, negando que Ele é o nosso Deus e somos o Seu povo.
"Saberás, pois, que o Senhor, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que O amam e guardam os Seus mandamentos; e dá o pago em sua face a qualquer dos que O aborrecem, fazendo-o perecer; não será remisso para quem O aborrece; em sua face lho pagará." Deuteronômio 7:9, 10.
Onde estaremos antes que findem as mil gerações mencionadas nesse texto? Nosso destino terá sido decidido para a eternidade. Ou seremos considerados dignos de um lar no eterno reino de Deus, ou receberemos a sentença de morte eterna. Aqueles que houverem sido fiéis e verdadeiros em seu concerto com Deus; aqueles que, lembrando-se do Calvário, permanecerem firmes do lado da verdade, sempre se esforçando por honrar a Deus, ouvirão este elogio: "Bem está, servo bom e fiel." Mateus 25:21. Contudo, aqueles que houverem oferecido a Deus um serviço dividido, permitindo que sua vida entrasse em conformidade com os caminhos e práticas do mundo, ouvirão as tristes palavras: "Apartai-vos de mim." (Mateus 25:41); "vos não conheço." Mateus 25:12.