Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos

Capítulo 2

Advertências fiéis e sinceras

O perigo de rejeitar a verdade

Cooranbong, Austrália, 30 de Maio de 1896

Prezado Irmão _____: Voltava eu de uma reunião de oração. Sobreveio-me o espírito de intercessão, e fui induzida à oração mais sincera pelas almas de Battle Creek. Eu compreendo o perigo em que estão. O Espírito Santo de maneira especial me moveu a elevar petições em seu favor.

Deus não é o autor de coisa alguma pecaminosa. Ninguém deve temer ser singular se o cumprimento do dever assim o exige. Se evitar o pecado nos torna singulares, então a nossa singularidade é meramente a distinção entre a pureza e a impureza, a justiça e a injustiça. Por que a multidão prefere a vereda da transgressão, escolheremos nós a mesma? É-nos dito plenamente pela inspiração: "Não seguirás a multidão para fazeres o mal." Nossa posição deve ser claramente declarada: "Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor."

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. NEle estava a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. ... E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." Oxalá cada um daqueles cujo nome está escrito nos livros da igreja pudesse de coração pronunciar essas palavras. Os membros da igreja devem saber por experiência o que o Espírito Santo fará por eles. Abençoará o que O recebe e o tornará uma bênção. É de lamentar que nem todos estejam orando pelo sopro vital do Espírito, porquanto estaremos prestes a perecer se não o sentirmos.

Devemos orar pelo outorgamento do Espírito, como remédio para as almas doentes de pecado. A igreja precisa estar convertida. E por que nos não prostramos diante do trono da graça, como representantes da igreja e, com coração submisso e espírito contrito, suplicamos fervorosamente que o Espírito Santo seja derramado do Alto sobre nós? Oremos para que quando Ele for graciosamente concedido nosso frio coração seja reavivado, e possamos ter discernimento para compreender que Ele vem de Deus, e recebê-Lo com alegria. Alguns tratam o Espírito como a um hóspede que não é bem-vindo, recusando receber o rico dom, recusando reconhecê-Lo, dEle se desviando, e O condenando como fanatismo.

Quando o Espírito Santo trabalha sobre o agente humano, não nos pergunta em que maneira operará. Freqüentemente move-Se de maneira inesperada. Cristo não veio como os judeus esperavam, Ele não veio de maneira que os glorificasse como nação. Seu precursor veio para Lhe preparar o caminho, convidando o povo a se arrepender de seus pecados, a se converter e ser batizado. A mensagem de Cristo era: "O reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho." Os judeus recusaram-se a receber a Cristo porque não veio conforme sua expectativa. As idéias de homens finitos eram consideradas infalíveis porque estavam encanecidas pela idade.

Este é o perigo a que a igreja está agora exposta -- o de que as invenções de homens finitos determinem a maneira precisa em que o Espírito Santo deve vir. Embora não queiram reconhecê-lo, alguns já o têm feito. E porque o Espírito deve vir não para louvar o homem ou edificar-lhe as errôneas teorias, mas para convencer o mundo do pecado e da justiça e do juízo, muitos se afastarão dEle. Não desejam ser privados das vestes de sua justiça própria. Não desejam trocar sua própria justiça, que é injustiça, pela justiça de Cristo, que é a verdade pura e não adulterada. O Espírito Santo não lisonjeia o homem, tampouco opera segundo as idéias de qualquer homem. Não devem os homens finitos e pecaminosos manejar o Espírito Santo. Quando Este vier como um reprovador por meio de qualquer instrumento humano que Deus escolher, é o dever do homem ouvir e obedecer-Lhe a voz.

A operação manifesta do Espírito Santo

Pouco antes de deixá-los, Cristo deu aos discípulos a promessa: "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-Me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da Terra." "Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que Eu vos tenho mandado; e eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos." Enquanto essas palavras Lhe estavam nos lábios, ascendeu, recebendo-O uma nuvem de anjos e O escoltando até à cidade de Deus. Voltaram os discípulos a Jerusalém, sabendo agora, com certeza, que Jesus era o Filho de Deus. Sua fé estava desanuviada e eles esperavam, preparando-se pela oração e pela humilhação do coração diante de Deus, até vir o batismo do Espírito Santo.

"E cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e de repente veio do Céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." Havia nessa assembléia zombadores, que não reconheceram a obra do Espírito Santo e disseram: "Estão cheios de mosto."

"Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Varões judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel." Lede a história. O Senhor estava operando a Seu próprio modo; mas houvesse tal manifestação entre nós, a quem são chegados os fins dos séculos, e não haveria tais zombadores, como naquela ocasião? Os que não ficaram sob a influência do Espírito Santo, não a compreenderam. Para esta classe os discípulos pareciam homens embriagados.

Testemunhas da cruz

Depois do derramamento do Espírito Santo, os discípulos, vestidos da armadura divina, saíram como testemunhas, para contar a maravilhosa história da manjedoura e da cruz. Eram homens humildes, mas saíram com a verdade. Após a morte de seu Senhor eram um grupo indefeso, desapontado e desanimado -- como ovelhas sem pastor; mas agora saem como testemunhas da verdade, sem outra arma senão a Palavra e o Espírito de Deus para triunfar sobre toda a oposição.

Seu Salvador fora rejeitado e condenado, e pregado na ignominiosa cruz. Os sacerdotes judeus e príncipes haviam declarado com escárnio: "Salvou aos outros, e a Si mesmo não pode salvar. Se é o rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nEle." Mas essa cruz, esse instrumento de vergonha e tortura, trouxe esperança e salvação ao mundo. A igreja se reuniu; seu desespero e consciente inutilidade os abandonara. Seu caráter fora transformado e eles se uniram pelos laços do amor cristão. Embora não tivessem riquezas, embora fossem contados pelo mundo como meros pescadores ignorantes, foram feitos pelo Espírito Santo testemunhas de Cristo. Sem honras ou reconhecimento terrenos, eram os heróis da fé. De seus lábios saíram palavras de eloquência e poder divino que abalaram o mundo.

O terceiro, quarto e quinto capítulos de Atos, dão um relato de seu testemunho. Os que rejeitaram e crucificaram o Salvador esperavam ver os discípulos desanimados, abatidos e prontos para negar a seu Senhor. Com espanto ouviram o testemunho claro e ousado, dado sob o poder do Espírito Santo. As palavras e obras dos discípulos representaram as palavras e obras de seu Mestre; e todos os que os ouviam diziam: Estes aprenderam de Jesus. Eles falam como Ele falava. "E os apóstolos davam com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça."

Os principais dos sacerdotes e autoridades julgavam-se competentes para decidir o que os apóstolos deveriam fazer e ensinar. Ao saírem por todas as partes pregando a Jesus, os homens que estavam sob a operação do Espírito Santo fizeram muitas coisas que os judeus não aprovavam. Havia perigo de que as idéias e doutrinas dos rabinos fossem desacreditadas. Criavam os apóstolos um maravilhoso excitamento. O povo levava para a rua os seus doentes, e os afligidos por espíritos imundos; as multidões se aglomeravam ao seu redor e os que haviam sido curados davam louvores a Deus e glorificavam o nome de Jesus, Aquele mesmo que os judeus haviam condenado, escarnecido, sobre quem haviam cuspido, a quem haviam coroado de espinhos e feito com que fosse açoitado e crucificado. Esse Jesus era exaltado acima dos sacerdotes e governadores. Até mesmo declaravam os apóstolo haver Ele ressuscitado dos mortos. Decidiram as autoridades judaicas que esta obra precisava e devia ser impedida, pois demonstrava que eram culpados do sangue de Jesus. Viam que os conversos à fé se estavam multiplicando. "E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais."

Prisão e encarceramento dos apóstolos

Então levantou-se o "sumo sacerdote e todos os que estavam com ele (e eram eles da seita dos saduceus)", que achavam não haver ressurreição dos mortos. As asserções feitas pelos apóstolos de que tinham visto a Jesus depois de Sua ressurreição e de que Ele ascendera ao Céu, estavam derribando princípios fundamentais da doutrina dos saduceus. Isso não se deveria permitir. Os sacerdotes e autoridades encheram-se de indignação, e lançaram mãos dos apóstolos, pondo-os na prisão comum. Os discípulos não se deixaram intimidar ou ficar abatidos. Foram-lhes trazidas à mente as palavras de Cristo na última lição que lhes dera: "Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda esse é o que Me ama; e aquele que Me ama será amado de Meu Pai, e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele." "Mas quando vier o Consolador, que Eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade que procede do Pai, Ele testificará de Mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio. Tenho-vos dito estas coisas para que vos não escandalizeis. Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a Mim. Mas tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar aquela hora, vos lembreis de que já vo-lo tinha dito."

Pregando de maneira diversa das doutrinas estabelecidas

"Mas de noite um anjo do Senhor abriu as portas da prisão, e, tirando-os para fora, disse: Ide e apresentai-vos no templo, e dizei ao povo todas as palavras desta vida." Vemos aqui que nem sempre devem os homens em autoridade ser obedecidos, ainda mesmo que professem ser mestres da doutrina bíblica. Muitos há hoje em dia que ficam indignados e ofendidos de que alguma voz se levante apresentando idéias que divergem das suas com relação a pontos de crença religiosa. Não têm eles há muito advogado que suas idéias são verdadeiras? Assim raciocinavam os sacerdotes e rabis nos dias apostólicos: Que querem dizer esses homens iletrados, alguns deles simples pescadores, que apresentam idéias contrárias às doutrinas que os letrados sacerdotes e autoridades estão ensinando ao povo? Não têm eles direito de se imiscuir com os princípios fundamentais de nossa fé.

Mas vemos que o Deus do Céu às vezes comissiona homens para ensinarem o que é considerado contrário às doutrinas estabelecidas. Visto aqueles que uma vez foram os depositários da verdade se tornarem infiéis ao Seu sagrado depósito, o Senhor escolheu outros que receberiam os brilhantes raios do Sol da Justiça e defenderiam verdades que não estavam de acordo com as idéias dos líderes religiosos. E então esses líderes, na cegueira de sua mente, dão ampla vazão ao que se supõe ser justa indignação contra aqueles que puseram de lado fábulas acariciadas. Agem como homens que perderam a razão. Não consideram a possibilidade de eles mesmos não terem compreendido corretamente a Palavra. Não abrem os olhos para discernir o fato de que têm interpretado e aplicado mal as Escrituras, edificando falsas teorias e chamando-as doutrinas fundamentais da fé.

Mas, de tempos em tempos o Espírito Santo revelará a verdade por meio de Seus instrumentos escolhidos; e nenhum homem, nem mesmo um sacerdote ou autoridade tem o direito de dizer: Não dareis publicidade às vossas opiniões, porque eu não creio nelas. O maravilhoso "Eu" pode tentar derribar os ensinos do Espírito Santo. Por algum tempo podem os homens tentar sufocá-los e matá-los; mas isso não tornará o erro verdade nem a verdade erro. A mente inventiva dos homens tem adiantado opiniões especulativas em vários sentidos, e quando o Espírito Santo deixa a luz brilhar no espírito humano, não respeita todos os pontos da aplicação do homem à Palavra. Deus impressionou a Seus servos para dizerem a verdade sem tomar em consideração o que os homens supunham ser a verdade.

Perigos presentes

Mesmo os adventistas do sétimo dia correm o perigo de fechar os olhos à verdade conforme ela é em Jesus, porque contradiz algo que eles supunham ser a verdade, mas que o Espírito Santo ensina não ser. Sejamos todos bem modestos, e procuremos com o maior fervor pôr o eu fora de questão, e exaltar a Jesus. Na maior parte das controvérsias religiosas o fundamento da dificuldade é que o eu se esforça pela supremacia. Acerca de quê? -- Acerca de questões que não são absolutamente pontos vitais, e que apenas assim são considerados porque os homens lhes têm dado importância. Ver Mateus 12:31-37; Marcos 14:56; Lucas 5:21 e Mateus 9:3.

Mas sigamos a história dos homens que os sacerdotes e autoridades judaicas julgavam tão perigosos, porque estavam introduzindo novos e estranhos ensinos em quase toda questão teológica. A ordem dada pelo Espírito Santo: "Ide e apresentai-vos no templo, e dizei ao povo todas as palavras desta vida", foi obedecida pelos apóstolos; "e... entraram de manhã cedo no templo, e ensinavam. Chegando, porém, o sumo sacerdote e os que estavam com ele, convocaram o conselho, e a todos os anciãos dos filhos de Israel, e enviaram ao cárcere, para que de lá os trouxessem. Mas, tendo lá ido os servidores, não os acharam na prisão, e, voltando, lho anunciaram, dizendo: Achamos realmente o cárcere fechado, com toda a segurança, e os guardas, que estavam fora, diante das portas; mas, quando abrimos, ninguém achamos dentro. Então o capitão do templo e os principais dos sacerdotes, ouvindo estas palavras, estavam perplexos acerca deles e do que viria a ser aquilo. E, chegando um, anunciou-lhes, dizendo: Eis que os homens que encarcerastes na prisão estão no templo e ensinam ao povo. Então foi o capitão com os servidores e os trouxe, não com violência (porque temiam ser apedrejados pelo povo)." Se os sacerdotes e autoridades tivessem ousado executar seus próprios sentimentos quanto aos apóstolos, o relato teria sido bem diferente; pois o anjo de Deus era observador naquela ocasião para engrandecer o Seu nome se qualquer violência tivesse sido feita a Seus servos.

Resposta dos apóstolos

"E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou, dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse Homem." Ver Mateus 23:34, 35. "Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-O no madeiro. Deus com a Sua destra O elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados. E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que Lhe obedecem. E, ouvindo eles isto se enfureciam, e deliberaram matá-los."

Então o Espírito Santo moveu a Gamaliel, um fariseu, "doutor da lei, venerado por todo o povo". Seu conselho foi: "Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, mas, se é Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus." "E concordaram com ele."

Preconceito dos que tinham autoridade

Contudo os atributos de Satanás de tal maneira lhes dominaram a mente que não obstante os maravilhosos milagres operados na cura de doentes e na libertação dos servos de Deus da prisão, os sacerdotes e autoridades estavam tão cheios de preconceito e de ódio que dificilmente puderam ser contidos. "E, chamando os apóstolos, e tendo-os açoitado, mandaram que não falassem no nome de Jesus, e os deixaram ir. Retiraram-se pois da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus. E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo."

A misericórdia de Deus é exemplificada

Podemos ver que evidências foram dadas aos sacerdotes e autoridades, e quão firmemente resistiram ao Espírito de Deus. Os que pretendem ter sabedoria e piedade superior podem cometer os erros mais terríveis e fatais (para consigo mesmos) se permitirem que seu espírito seja moldado por outro poder e seguirem uma atitude de resistência ao Espírito Santo. O Senhor Jesus ali estava presente naquela assembléia, representado pelo Espírito Santo, mas eles não O discerniram. Por um momento sentiram a convicção do Espírito, de que Jesus era o Filho de Deus; mas abafaram a convicção, e se tornaram mais cegos e endurecidos que dantes. Mesmo depois de terem crucificado o Salvador, Deus, em Sua misericórdia, lhes enviara mais evidências nas obras operadas pelos apóstolos. Ele lhes estava fazendo outro apelo ao arrependimento, mesmo na terrível acusação feita contra eles pelos apóstolos, de que haviam matado o Príncipe da Vida.

Não foi somente o pecado de levar à morte o Filho de Deus que os separou da salvação, mas a sua persistência em rejeitar a luz e a convicção do Espírito Santo. O espírito que opera nos filhos da desobediência, neles operava, levando-os a injuriar os homens por meio de quem Deus lhes estava dando um testemunho. Reapareceu a malignidade da rebelião, sendo intensificada em cada ato sucessivo de resistência aos servos de Deus e à mensagem que Ele lhes ordenara declarar.

Resistência à verdade

Cada ato de resistência torna mais difícil ceder. Sendo os líderes do povo, julgaram os sacerdotes e autoridades ser sua obrigação defender o rumo que haviam tomado. Deviam provar que estavam certos. Tendo-se entregue à oposição a Cristo, cada ato de resistência se tornou mais um incentivo para continuar no mesmo caminho. Os acontecimentos de sua carreira passada de oposição são como que tesouros preciosos para serem ciosamente guardados. E o ódio e a malignidade que inspiravam esses atos concentram-se contra os apóstolos.

O Espírito de Deus revelou Sua presença àqueles que, sem tomar em consideração o medo ou o favor dos homens, declararam a verdade que lhes fora confiada. Sob a demonstração do poder do Espírito Santo, viram os judeus sua culpa ao recusar a evidência que Deus lhes enviara; mas não queriam desistir de sua ímpia resistência. Sua obstinação tornou-se cada vez mais determinada, e causou a ruína de suas almas. Não é que não pudessem render-se, pois poderiam, mas não o quiseram fazer. Não somente foram culpados e merecedores da ira, mas também se armaram dos atributos de Satanás e determinadamente continuaram a se opor a Deus. Cada dia, ao recusarem arrepender-se, assumiam de novo sua rebelião. Preparavam-se para colher o que haviam semeado. A ira de Deus não é meramente declarada contra os homens devido aos pecados que cometeram, mas por preferirem continuar num estado de resistência, e, embora tenham luz e conhecimento, repetirem seus pecados do passado. Se se submetessem, seriam perdoados; mas determinaram não ceder. Desafiam a Deus por sua obstinação. Essas almas se entregaram a Satanás e ele as domina de acordo com sua vontade.

Como aconteceu com os rebeldes habitantes do mundo antediluviano? Depois de rejeitarem a mensagem de Noé, mergulharam no pecado com maior abandono que em qualquer ocasião anterior, e duplicaram a enormidade de suas práticas corruptoras. Os que recusam reformar-se pela aceitação de Cristo, nada encontram de reformador no pecado; sua mente é levada a continuar seu espírito de revolta, e não são forçados à submissão, e jamais o serão. O juízo que Deus trouxe sobre o mundo antediluviano, declarou-o incurável. A destruição de Sodoma proclamou que os habitantes da mais bela terra do mundo eram incorrigíveis no pecado. O fogo e o enxofre do Céu consumiram tudo, menos a Ló, sua esposa e duas filhas. A esposa, voltando-se para trás em desrespeito à ordem de Deus, tornou-se numa estátua de sal.

Como Deus suportou a nação judaica enquanto murmuravam e eram rebeldes, quebrando o sábado e todos os outros preceitos da lei! Repetidamente, declarou que eram piores do que os pagãos. Cada geração ultrapassava a precedente na culpa. O Senhor permitiu que entrassem em cativeiro; mas depois de sua libertação Seus reclamos foram esquecidos. Tudo aquilo que Ele confiou àquele povo para que conservasse sagrado, foi pervertido ou deslocado pelas invenções de homens rebeldes. Cristo lhes disse em Seus dias: "Não vos deu Moisés a Lei? e nenhum de vós observa a lei". E esses eram os homens que se arvoravam em juízes e censores sobre aqueles a quem o Espírito Santo estava levando a declarar a palavra de Deus ao povo. Ver João 7:19-23, 27, 28; Lucas 11:37-52.

Deve-se deixar o Espírito Santo desembaraçado

Lede estas passagens ao povo. Lede cuidadosa e solenemente e o Espírito Santo estará ao vosso lado, para impressionar a mente quando vós as lerdes. Mas não deixeis de ler com o verdadeiro senso da Palavra no coração. Se Deus jamais falou por meu intermédio, muito significam estas passagens para os que as ouvirem.

Devem os homens finitos evitar dominar os seus semelhantes, assumindo o lugar determinado para o Espírito Santo. Não julguem os homens ser sua prerrogativa dar ao mundo o que eles supõem ser a verdade, impedindo que a este seja dada qualquer coisa contrária às suas idéias. Não é esta a sua obra. Muitas coisas aparecerão distintamente como verdade que não serão aceitáveis aos que pensam que suas próprias interpretações das Escrituras são sempre corretas. Haverá necessidade de fazer as mais decididas mudanças com relação às idéias que alguns aceitam como sem jaça. Esses homens dão evidências de falibilidade em muitíssimas maneiras; trabalham sob princípios que a Palavra de Deus condena. O que me faz sentir até às próprias profundezas do meu ser, e me faz saber que suas obras não são de Deus, é suporem que têm autoridade para governar seus semelhantes. O Senhor não lhes dá mais direito de governar aos outros do que dá aos outros o de governá-los. Os que assumem o controle de seus semelhantes, tomam em suas mãos finitas um trabalho que somente compete a Deus.

Que homens conservem vivo o espírito que corria desenfreadamente em Mineápolis, é uma ofensa a Deus. Todo o Céu está indignado com o espírito que por anos se tem revelado em nossa casa publicadora de Battle Creek. Pratica-se injustiça que Deus não tolerará. Ele punirá essas coisas. Tem-se ouvido uma voz apontando os erros, e, em nome do Senhor apelando para decidida mudança. Mas quem tem seguido as instruções dadas? Quem tem humilhado o coração para dele expulsar todo o vestígio de seu espírito ímpio e opressor? Temos sentido grande responsabilidade de apresentar estas questões diante do povo como são. Sei que as verão. Sei que os que lerem este assunto reconhecerão seu erro.

Uma mensagem fiel

Hobart, Tasmânia, 1 de Maio de 1895.

Muitos perderam sua fé no advento. Por abundar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Muitos há que perderam sua fé no advento. Vivem para o mundo, e enquanto dizem no seu coração, como gostariam que fosse, "o meu Senhor tarde virá", estão espancando os seus conservos. Fazem-no pela mesma razão que Caim matou Abel. Abel determinou adorar a Deus de acordo com a orientação que Este lhe dera. Isso desagradou a Caim. Achou que seus planos eram melhores, e que o Senhor chegaria a um acordo. Caim, em sua oferta, não reconheceu a sua dependência de Cristo. Achou que seu pai Adão fora tratado com aspereza ao ser expulso do Éden. A idéia de conservar esse pecado sempre em mente, e oferecer o sangue do cordeiro sacrificado como confissão de inteira dependência de um poder que estava fora de si mesmo, era uma tortura para o espírito altivo de Caim. Sendo mais velho, achou que Abel lhe devia seguir o exemplo. Quando a oferta de Abel foi aceita por Deus e o fogo santo consumiu o sacrifício, a ira de Caim tornou-se excessivamente grande. O Senhor condescendeu em lhe explicar a questão; mas ele não queria reconciliar-se com Deus, e odiou a Abel porque o Senhor lhe foi favorável. Ficou tão irado que matou a seu irmão.

O Senhor tem uma controvérsia com todos os homens que, por sua descrença e dúvida estão dizendo que Ele retarda a Sua vinda, e que têm ferido aos seus conservos, comendo e bebendo com (operando com o mesmo princípio que) os temulentos; estão embriagados, mas não de vinho; eles cambaleiam, mas não de bebida forte. Satanás lhes tem dominado a razão e não sabem em que tropeçam.

Resultado da separação de Deus

Logo que um homem se separa de Deus de tal modo que seu coração não esteja sob o poder do Espírito Santo, revelar-se-ão os atributos de Satanás, e ele começará a oprimir os seus semelhantes. Dele emana uma influência contrária à verdade, e à justiça e ao juízo. Tal disposição se manifesta em nossas instituições, não somente na relação dos obreiros uns para com os outros, mas no desejo manifestado por uma instituição de dominar todas as outras. Os homens a quem se confiaram pesadas responsabilidades, mas que não têm comunhão viva com Deus, têm estado e ainda estão ofendendo ao Seu Santo Espírito. Estão transigindo com o mesmo espírito que Coré, Datã e Abirã, e como os judeus nos dias de Cristo. Ver Mateus 12:22-29, 31-37. Freqüentemente têm vindo de Deus advertências a esses homens, mas eles as têm posto de lado e se aventurado a seguir no mesmo rumo.

Lede as palavras de Cristo em Mateus 23:23: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas." Essas denúncias são feitas como advertências a todos os que "exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade". Estes dizem: "Somos livres, podemos fazer todas estas abominações". Eles dizem: "Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas. Assim", disse Jesus, "vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas." Que lições há aqui! quão terríveis e decisivas! Jesus disse: "Portanto, eis que Eu vos envio profetas, sábios e escribas; e a uns deles matareis e crucificareis; e a outros açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade." Essa profecia foi literalmente cumprida pelos judeus no tratamento que deram a Cristo e aos mensageiros que Deus lhes enviou. Seguirão os homens nesses últimos dias o exemplo daqueles que Cristo condenou?

Essas terríveis predições não têm eles até aqui cumprido plenamente; mas se Deus lhes poupar a vida, e nutrirem o mesmo espírito que assinalou sua atitude tanto antes como depois da reunião de Mineápolis, imitarão plenamente os atos daqueles que Cristo condenou quando esteve na Terra.

Os perigos dos últimos dias impendem sobre nós. Lede Mateus 25:14. Satanás assume o domínio de toda mente que não está decididamente sob o domínio do Espírito de Deus. Alguns vêm cultivando ódio contra os homens a quem Deus comissionou para dar uma mensagem especial ao mundo. Eles começaram essa satânica obra em Mineápolis. Mais tarde, ao verem e sentirem a demonstração do Espírito Santo, que testificava que a mensagem era de Deus, odiaram-na ainda mais, pois eram um testemunho contra eles. Não queriam humilhar o coração para se arrependerem, darem glória a Deus, e vindicarem o direito. Prosseguiram em seu próprio espírito, cheios de inveja, ciúme e más suspeitas, como os judeus. Abriram o coração ao inimigo de Deus e do homem. Contudo esses homens têm ocupado posições de confiança e têm moldado a obra à sua semelhança, tanto quanto podem. ...

Exortação ao arrependimento

Aqueles que hoje são os primeiros, que têm sido infiéis à causa de Deus, logo serão os últimos, a menos que se arrependam. A não ser que imediatamente caiam sobre a Rocha e sejam quebrantados, e nasçam de novo, continuará a ser nutrido o espírito que vem sendo alimentado. A doce voz da misericórdia não será por eles reconhecida. A religião bíblica em particular e em público, será para eles uma coisa do passado. Ardorosamente têm falado contra o entusiasmo e o fanatismo. A fé que apela a Deus para aliviar o sofrimento humano, fé que Deus tem ordenado a Seu povo exercer, é chamada fanatismo. Se alguma coisa há na Terra que deva inspirar os homens com santificado zelo, essa é a verdade tal como é em Jesus. É a sublime e grande obra da redenção. É Cristo para nós feito sabedoria, justiça, santificação e redenção.

Freqüentemente tem o Senhor, em Sua providência tornado manifesto que nada menos que a verdade revelada, a Palavra de Deus, pode resgatar o homem do pecado ou guardá-lo da transgressão. Aquela Palavra que revela a culpa do pecado, tem sobre o coração humano o poder de endireitar o homem e assim o conservar. O Senhor diz que a Sua Palavra deve ser estudada e obedecida; deve ser levada para a vida prática; esta Palavra é tão inflexível como o caráter de Deus -- é a mesma ontem, hoje e eternamente.

A verdadeira inspiração ao entusiasmo

Se algo há em nosso mundo que deva inspirar entusiasmo é a cruz do Calvário. "Vede quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo nos não conhece; porque O não conhece a Ele." "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Cristo deve ser aceito, crido e exaltado. Este deve ser o tema da conversa: A preciosidade de Cristo.

A verdade deve ser entronizada no coração

Há em Battle Creek uma classe que tem a verdade plantada no coração. Ela é para eles o poder de Deus para a salvação. Mas a menos que a verdade esteja entronizada no coração e se opere uma perfeita transição das trevas para a luz, aqueles que têm nas mãos sagradas responsabilidades são ministros das trevas, guias cegos dos cegos. "São nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas." Deus requer que toda alma que menciona o Seu nome tenha a verdade entronizada no coração. O tempo em que vivemos o exige. A eternidade o exige. Exige-o a religião pura.

Divertimentos mundanos

Festas de prazer

Enquanto tem havido tanto medo de excitamento e entusiasmo no serviço de Deus, tem havido manifesto entusiasmo em outro sentido que a muitos parece completamente adequado. Refiro-me às festas de prazer que se têm realizado entre nosso povo. Tais ocasiões têm tomado muito do tempo e atenção do povo que professa ser servo de Cristo; mas tendem essas assembléias para glória do Seu nome? Foi Jesus convidado a presidi-las? As reuniões de intercâmbio social podem ser no mais alto grau tornadas úteis e instrutivas quando os que se reúnem têm o amor de Deus a lhes arder no coração, quando se reúnem para trocar idéias sobre a Palavra de Deus, ou para considerar métodos para o avanço de Sua obra, e fazer bem aos seus semelhantes. Quando nada se diz ou faz para entristecer o Espírito Santo de Deus, antes Este é considerado hóspede bem-vindo, então Deus é honrado e aqueles que se reúnem serão refrigerados e fortalecidos. "Então aqueles que temem ao Senhor falam cada um com o seu companheiro; e o Senhor atenta e ouve; e há um memorial escrito diante dEle, para os que temem ao Senhor, e para os que se lembram do Seu nome. E eles serão Meus, diz o Senhor dos Exércitos, naquele dia que farei serão para Mim particular tesouro."

Mas tem havido uma classe de reuniões sociais em Battle Creek de caráter inteiramente diferente, festas de prazer que têm sido uma infelicidade para as nossas instituições e para a igreja. Incentivam o orgulho do vestuário, o orgulho da aparência, satisfação própria, hilaridade e leviandade. Satanás é recebido como hóspede honrado, e toma posse dos que patrocinam essas reuniões. Foi-me apresentada uma visão de tal grupo, onde se reuniram os que professavam crer na verdade. Um estava assentado a um instrumento musical, e tocava músicas que fizeram os anjos observadores chorarem. Havia júbilo, havia rudes gargalhadas, havia abundância de entusiasmo e uma espécie de inspiração; mas a alegria era daquela que somente Satanás é capaz de criar. É esse um entusiasmo e enfatuação de que todos os que amam a Deus se envergonharão. Prepara os participantes para pensamentos e ações não santificados. Tenho razão de pensar que alguns dos que estavam participando dessa cena arrependeram-se profundamente da vergonhosa atuação.

O efeito de tais ajuntamentos

Muitos desses ajuntamentos me têm sido mostrados. Tenho visto o gracejo, a ostentação no vestuário, o adorno pessoal. Todos esperam ser considerados brilhantes, e se entregam à hilaridade, a tolos gracejos, à lisonja barata e rude, e a ruidosas gargalhadas. Os olhos cintilam, as faces enrubescem, a consciência adormece. Com comidas, bebidas e folguedos, fazem o máximo para esquecer a Deus. As cenas de prazer são o seu paraíso. E os Céus estão contemplando, a tudo vendo e ouvindo.

O esporte de ciclismo

Voltai para outra cena. Nas ruas da cidade reúne-se um grupo para uma corrida de bicicleta. Nesse grupo estão também os que professam conhecer a Deus e a Jesus Cristo, a quem Ele enviou. Mas daqueles que contemplam a excitante corrida, quem seria capaz de pensar que os que assim se exibiam eram os seguidores de Cristo? Quem suporia que qualquer pessoa daquele grupo sentia sua necessidade de Cristo? Quem pensaria que eles reconheciam o valor de seu tempo e de suas forças físicas como sendo dons de Deus, que deviam ser preservados para o Seu serviço? Quem pensa no perigo de acidentes, ou em que a morte pode ser o resultado de sua selvagem prossecução? Quem tem orado pela presença de Jesus e a proteção dos anjos ministradores? É Deus honrado por essas realizações? Satanás está disputando o jogo da vida por essas almas, e muito se alegra com o que vê e ouve.

Uma profanação da religião

O cristão, uma vez fervoroso, que entra nesses esportes, está na descida. Abandonou a região saturada pela atmosfera vital do Céu, e mergulhou numa atmosfera de névoa e cerração. Pode ser que algum crente humilde seja induzido a se unir a esses esportes. Mas se ele mantiver sua ligação com Cristo não poderá participar de coração dessa cena excitante. As palavras que ouve não são convenientes, pois não são a linguagem de Canaã. Os locutores não dão evidência de estarem fazendo melodias a Deus em seu coração. Mas há inconfundível evidência de que Deus é esquecido. Ele não está em todos os seus pensamentos. Estas festas de prazer e ajuntamentos para excitantes esportes compostos dos que professam ser cristãos, são uma profanação da religião e do nome de Deus.

Operação enganosa de Satanás

O teor da conversa revela os tesouros do coração. Palestra barata e comum, as palavras lisonjeiras, o gracejo insensato, ditos para provocar risada, são a mercadoria de Satanás, e todos os que transigem com esta conversa, estão negociando suas mercadorias. Fazem-se impressões sobre os que tais coisas ouvem, semelhantes às que se fizeram em Herodes quando a filha de Herodias dançou diante dele. Todo esse relatório é registrado nos livros do Céu; e no último e grande dia aparecerá em sua verdadeira luz perante os culpados. Então todos discernirão nele a operação sedutora e enganadora do diabo para conduzi-los à estrada larga e à porta ampla que se abrem para sua ruína.

Os professos cristãos como chamarizes de Satanás

Satanás tem estado a multiplicar as suas ciladas em Battle Creek; e cristãos professos que são superficiais no caráter e na experiência religiosa são pelo tentador usados como chamarizes. Essa classe está sempre pronta para reuniões de prazer ou esporte, e a sua influência atrai os outros. Moços e moças que têm procurado ser cristãos bíblicos são persuadidos a se unir ao grupo e são atraídos para o círculo. Não consultam com oração a norma divina para saber o que Cristo disse quanto ao fruto a ser produzido na árvore cristã. Não discernem que estes entretenimentos são realmente o banquete de Satanás, preparados para evitar que as almas aceitem o chamado à ceia das bodas do Cordeiro; que os impedem de receber as vestes brancas do caráter, que é a justiça de Cristo. Ficam confusos quanto ao que é certo fazerem como cristãos. Não desejam ser considerados excêntricos, e naturalmente se inclinam a seguir o exemplo dos outros. Assim ficam sob a influência dos que nunca sentiram o toque divino no coração ou na mente.

Nessas excitantes reuniões, seduzidos pelo encanto e pela paixão da influência humana, jovens que foram cuidadosamente instruídos a obedecer à lei de Deus são levados a se prender àqueles cuja educação tem sido um erro, e a experiência religiosa, uma fraude. Vendem-se para um cativeiro que dura por toda a vida. Enquanto viverem, ficarão embaraçados por sua união com um caráter barato e superficial, com alguém que vive para a ostentação, mas que não tem o precioso adorno interior, o ornamento de um espírito manso e humilde, que à vista de Deus é de grande preço. Ao chegarem a doença e a morte àqueles que viveram para agradar meramente a si mesmos, verificam não terem provido óleo nos vasos e nas lâmpadas e estão completamente incapacitados para terminar a história de sua vida. Assim tem sido, e assim sempre será.

Perguntamos aos que têm tido grande luz em Battle Creek: Perdeu a verdade de Deus o domínio sobre a alma? Empalideceu o ouro fino? Qual tem sido a causa desse fanatismo e desse entusiasmo? Terrível responsabilidade repousa sobre os pais amantes do mundo e egoístas, pois o pecado lhes jaz à porta. Quanto mais favorável seria se os prédios escolares que agora estão em Battle Creek estivessem bem longe da cidade, e afastados de tão grande colônia de professos observadores do sábado!

Deplorável convicção está ganhando terreno

Está ganhando terreno no mundo a convicção de que os adventistas do sétimo dia estão dando à trombeta um sonido incerto, de que estão seguindo os caminhos dos mundanos. Há em Battle Creek famílias que se estão separando de Deus, planejando contrato de casamento com os que nenhum amor têm a Deus, com os que levam vida frívola, os que nunca praticaram a abnegação, e não sabem por experiência o que significa ser colaboradores de Deus. Coisas estranhas estão sendo tramadas. Aspectos falsos do cristianismo estão sendo recebidos e ensinados, e que prendem a alma na falácia e engano. Os homens estão andando à luz das centelhas que eles mesmos acenderam. Os que amam e temem a Deus não descerão ao nível do mundo, escolhendo a companhia dos vãos e levianos. Não ficarão encantados com os homens e mulheres que não são convertidos. Eles testemunharão de Jesus e então Jesus os defenderá.

Trato desonesto nos negócios

Alguns daqueles que conhecem a verdade mas não a praticam, estão pisando a pés a lei de Deus em suas transações comerciais. Não nos devemos associar intimamente com eles para não pegarmos seu espírito e partilharmos de sua condenação. Ao falar de certos atos de seus filhos, e que ele contemplava com horror, o patriarca Jacó exclamou: "No seu secreto conselho não entre minha alma, com a sua congregação minha glória não se ajunte." Ele achou que sua própria glória estaria comprometida se ele se associasse com os pecadores em seus feitos. Ele arvora o sinal de perigo para nos afastar de tais associações, a fim de não nos tornarmos participantes de seus maus feitos. Por meio do apóstolo Paulo faz o Espírito Santo idêntica advertência: "Não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as."

A verdadeira atitude do cristão

O eterno Deus traçou a linha de distinção entre os santos e os pecadores, os convertidos e os não convertidos. As duas classes não se misturam imperceptivelmente uma com a outra, como as cores do arco-íris. São tão distintas como o meio-dia e a meia-noite.

Os que procuram a justiça de Cristo demorar-se-ão nos temas da grande salvação. A Bíblia é o celeiro que lhes supre a alma com o alimento nutritivo. Meditam sobre a encarnação de Cristo, contemplam o grande sacrifício feito para salvá-los da perdição, para lhes levar o perdão, a paz e a justiça eterna. A alma está aquecida com esses grandes e elevados temas. A santidade e a verdade, a graça e a justiça, ocupam os pensamentos. Morre o eu, e Cristo vive em seus servos. Na contemplação da verdade arde neles o coração, como o coração dos dois discípulos ao irem para Emaús, e Cristo andar com eles pelo caminho, abrindo-lhes as Escrituras concernentes a Si mesmo.

Quão poucos reconhecem que Jesus, invisível, está andando a seu lado! Quão envergonhados ficariam muitos se ouvissem Sua voz a lhes falar, e de saber que Ele ouviu toda a sua conversa insensata e comum! E quantos corações arderiam com santa alegria se tão-somente soubessem que o Salvador estava a seu lado, que a santa atmosfera de Sua presença os rodeava, e que se estavam alimentando do pão da vida! Quanto se agradaria o Salvador de ouvir Seus seguidores falarem de Suas preciosas e instrutivas lições, e de saber que eles tinham gosto pelas coisas santas! Quando a verdade habita no coração, não há lugar para a crítica dos servos de Deus, ou para achar defeitos na mensagem que Ele envia. O que está no coração fluirá dos lábios. Não pode ser reprimido. O tema da conversação será as coisas que Deus preparou para aqueles que O amam. O amor de Cristo está na alma como uma fonte de água que jorra para a vida eterna, enviando correntes vivas que levam vida e alegria para onde quer que jorrem.

Rejeitando a luz

Deus diz a Seus servos: "Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao Meu povo a sua transgressão e à casa de Jacó os seus pecados." Mas quando o testemunho claro e direto vem de lábios que estão sob a inspiração do Espírito de Deus, muitos há que o tratam com desdém. Entre nós há os que, por atos, senão por palavras, "dizem aos videntes: Não vejais; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, e tende para nós enganadoras lisonjas. Desviai-vos do caminho, apartai-vos da vereda; fazei que deixe de estar o Santo de Israel perante nós. Pelo que assim diz o Santo de Israel: Visto como rejeitais esta palavra, e confiais na opressão e na perversidade, e sobre isso vos estribais, por isso esta maldade vos será como a parede sem vida, que já forma barriga desde o mais alto sítio, e cuja queda virá subitamente, num momento. ... Porque assim diz o Senhor Jeová, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em repousardes, estaria a vossa salvação; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes."

A necessidade de purificação do coração

Pergunto aos que estão em posições de responsabilidade em Battle Creek: Que estais fazendo? Voltastes as costas, e não o rosto, para o Senhor. Há necessidade de uma purificação do coração, dos sentimentos, das simpatias, das palavras, quanto ao mais momentoso dos assuntos -- o Senhor Deus, a eternidade, a verdade. Qual a mensagem a ser dada neste tempo? -- É a mensagem do terceiro anjo. Mas essa luz, que deve encher toda a Terra de sua glória, tem sido desprezada por alguns dos que pretendem crer na verdade presente. Cuidai de como a tratais. Descalçai os sapatos de vossos pés; pois estais em terreno santo. Cuidai de como transigis com os atributos de Satanás, e derramais desprezo sobre a manifestação do Espírito Santo. Não sei se alguns agora não têm ido longe demais para voltarem e se arrependerem.

Comunicação de luz

Digo a verdade. As almas que amam a Deus, que crêem em Cristo, e que ansiosamente seguram cada raio de luz, verão a luz, e se regozijarão na verdade. Estas comunicarão a luz. Crescerão na santidade. Os que recebem o Espírito Santo, sentirão a atmosfera gelada que cerca a alma de outros por quem essas grandes e solenes realidades não são apreciadas e sim combatidas. Sentem que estão no conselho dos ímpios, dos que estão no caminho dos pecadores e se assentam no assento dos escarnecedores.

A Palavra de Deus diz a verdade. Não há mentira. Nela não há nada forçado; nada extremo; nada exagerado. Devemos aceitá-la como sendo a palavra do Deus vivo. Em obediência a esta palavra, tem a igreja deveres a realizar que não efetuou. Não devem fugir do posto do dever; mas na prova e na tentação devem apoiar-se mais intensamente em Deus. Há dificuldades a enfrentar, mas o povo de Deus se deve levantar como uma só alma para enfrentar as emergências. Há deveres a desempenhar para a igreja e para nosso Deus.

O Espírito de Deus Se está apartando de muitos de Seu povo. Muitos têm penetrado em caminhos escuros e secretos, e alguns nunca retornarão. Continuarão a tropeçar para a sua ruína. Têm tentado a Deus, têm rejeitado a luz. Receberam toda a evidência que jamais lhes será dada, e não lhe têm dado ouvidos.

Escolheram as trevas em vez da luz, e corromperam a sua alma. Nenhum homem ou igreja pode associar-se com a classe amante de prazeres, e revelar que aprecia a rica corrente que Deus envia aos que têm uma fé simples em Sua Palavra. O mundo está poluído, corrompido como o dos dias de Noé. O único remédio é crer na verdade, aceitar a luz. No entanto muitos têm ouvido a verdade falada com demonstração do Espírito, e não somente têm recusado aceitar a mensagem, mas odiado a luz. Eles são partidários da ruína das almas. Têm-se interposto entre a luz enviada do Céu e o povo. Têm pisado a Palavra de Deus, e estão afrontando o Seu santo Espírito.

Apelo ao povo de Deus para que abra os olhos. Quando sancionais, ou executais as decisões de homens que, como sabeis, não estão em harmonia com a verdade e a justiça, enfraqueceis vossa própria fé e perdeis vosso gosto pela comunhão com Deus. Pareceis ouvir a voz que foi dirigida a Josué: "Por que estás prostrado assim sobre o teu rosto? Israel pecou, e até transgrediram o Meu concerto que lhes tinha ordenado. ... Anátema há no meio de ti, Israel." "Não serei mais convosco, se não desarraigardes o anátema do meio de vós." Cristo declara: "Quem comigo não ajunta espalha."

A mensagem da justificação pela fé

Em Sua grande misericórdia, enviou o Senhor preciosa mensagem a Seu povo por intermédio dos Pastores Waggoner e Jones. Esta mensagem devia pôr de maneira mais preeminente diante do mundo o Salvador crucificado, o sacrifício pelos pecados de todo o mundo. Apresentava a justificação pela fé no Fiador; convidava o povo para receber a justiça de Cristo, que se manifesta na obediência a todos os mandamentos de Deus. Muitos perderam Jesus de vista. Deviam ter tido o olhar fixo em Sua divina pessoa, em Seus méritos e em Seu imutável amor pela família humana. Todo o poder foi entregue em Suas mãos, para que Ele pudesse dar ricos dons aos homens, transmitindo o inestimável dom de Sua justiça ao impotente ser humano. Esta é a mensagem que Deus manda proclamar ao mundo. É a terceira mensagem angélica que deve ser proclamada com alto clamor e regada com o derramamento de Seu Espírito Santo em grande medida.

O Salvador crucificado deve aparecer em Sua eficaz obra como o Cordeiro sacrificado, sentado no trono, para dispensar as inestimáveis bênçãos do concerto, os benefícios que Sua morte concederia a cada alma que nEle cresse. João não podia exprimir em palavras esse amor; era profundo e amplo demais; ele apela à família humana para que o contemple. Cristo intercede pela igreja nas cortes celestiais, lá em cima, rogando por aqueles por quem pagou o preço da redenção -- Seu próprio sangue. Os séculos, o tempo, nunca poderão diminuir a eficácia de Seu sacrifício expiatório. A mensagem do evangelho de Sua graça devia ser dada à igreja em linhas claras e distintas, para que não mais o mundo dissesse que os adventistas do sétimo dia falam na lei, na lei, mas não ensinam a Cristo nem nEle crêem.

A eficácia do sangue de Cristo devia ser apresentada ao povo com vigor e poder, para que sua fé se pudesse apropriar de Seus méritos. Como o sumo sacerdote espargia o sangue quente sobe o propiciatório, enquanto a fragrante nuvem de incenso ascendia diante de Deus, assim ao confessarmos os nossos pecados, e rogarmos a eficácia do sangue expiador de Cristo, devem as nossas orações ascender ao Céu com a fragrância dos méritos do caráter de nosso Salvador. Não obstante nosso demérito, devemos ter sempre em mente que há Um que pode tirar o pecado e salvar o pecador. Todo o pecado reconhecido diante de Deus com um coração contrito, Ele removerá. Tal fé é a vida da igreja. Como a serpente foi levantada no deserto por Moisés e a todos que foram picados pelas serpentes ardentes, foi ordenado olhar e viver, assim também deve o Filho do homem ser levantado, "para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna".

A menos que torne a ocupação de sua vida contemplar o Salvador levantado, e pela fé aceite os méritos que é seu privilégio reclamar, não mais poderá o pecador ser salvo do que podia Pedro andar sobre as águas, a não ser que conservasse os olhos bem fixados em Jesus. Ora, é o propósito determinado de Satanás eclipsar a visão de Jesus e levar os homens a olhar para o homem, a no homem confiar, e serem educados a esperar auxílio do homem. Por anos tem estado a igreja olhando para o homem, e dele muito esperando, mas sem olhar para Jesus, em quem Se centraliza nossa esperança de vida eterna. Portanto, Deus deu a Seus servos um testemunho que apresentava a verdade como esta é em Jesus, e que é a terceira mensagem angélica, em linhas claras e distintas. As palavras de João devem ser ecoadas pelo povo de Deus, para que todos possam discernir a luz e na luz andar: "Aquele que vem de cima é sobre todos: Aquele que vem da Terra, é da Terra e fala da Terra. Aquele que vem do Céu é sobre todos. E aquilo que Ele viu e ouviu isto testifica; e ninguém aceita o Seu testemunho. Aquele que aceitou o Seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro. Porque Aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida. O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas Suas mãos. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida; mas a ira de Deus sobre ele permanece."

Este é o testemunho que deve ir por toda a largura e extensão do mundo. Apresenta a lei e o evangelho, unindo os dois num todo perfeito. Ver Romanos 5, e 1 João 3:9, até o fim do capítulo. Essas preciosas passagens serão impressas em cada coração aberto para recebê-las. "A exposição das Tuas palavras dá luz; dá entendimento aos símplices", -- os contritos de coração. "Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no Seu nome." Não têm estes mera fé nominal, uma teoria da verdade, uma religião legal, mas crêem com um propósito, apropriando-se dos mais ricos dons de Deus. Suplicam pelo dom, para poderem dar aos outros. Podem dizer: "E todos nós recebemos também da Sua plenitude, e graça por graça".

"Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é caridade. Nisto se manifestou a caridade de Deus para conosco: que Deus enviou Seu Filho unigênito ao mundo, para que por Ele vivamos. Nisto está a caridade, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós, e enviou Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus assim nos amou, também nos devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeita a Sua caridade. Nisto conhecemos que estamos nEle, e Ele em nós, pois que nos deu do Seu Espírito."

A mensagem de Deus para o tempo atual

É essa justamente a obra que o Senhor designou que a mensagem que Ele deu a Seus servos realize no coração e na mente de todo o instrumento humano. Amar sumamente a Deus, e amar aos outros como a si mesmos, é a vida perpétua da igreja. Não obstante havia pouco amor a Deus e ao homem e Deus deu aos Seus mensageiros justamente o que o povo necessitava. Os que receberam a mensagem foram grandemente abençoados, pois viram os brilhantes raios do Sol da Justiça, e lhes brotaram no coração a vida e a esperança. Contemplavam a Cristo. "Não temas", é a Sua eterna certeza; "Eu sou... o que vivo e fui morto, mas eis que estou vivo para todo o sempre." "Porque Eu vivo e vós vivereis." O sangue do imaculado Cordeiro de Deus aplicam os crentes a seu próprio coração. Contemplando o grande Antítipo podemos dizer: "Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós." O Sol da Justiça brilha em nosso coração, para dar o conhecimento da glória de Jesus Cristo. Quanto ao ofício do Espírito Santo, diz Ele: "Ele Me glorificará, porque há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar." O salmista ora: "Purifica-me com hissopo e ficarei puro: lava-me e ficarei mais alvo do que a neve. ... Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da Tua presença, e não retires de mim o Teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da Tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário. Então ensinarei aos transgressores os Teus caminhos, e os pecadores a Ti se converterão."

O Senhor deseja que esses grandes temas sejam estudados em nossas igrejas; e se todo o membro da igreja der atenção à Palavra de Deus, ela dará luz e entendimento aos símplices. "Quem há entre vós que tema a Jeová, e ouça a voz do Seu servo? quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o Seu Deus. Eis todos vós, que acendeis fogo e vos cingis com faíscas: Andais entre as labaredas do vosso fogo, e entre as faíscas que acendestes: isto vos vem da Minha mão, e em tormentos jazereis." Ver Isaías 29:13-16, 18-21. "Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar glorie-se nisto; em Me conhecer e saber que Eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na Terra; porque destas coisas Me agrado, diz o Senhor."

Nunca houve um tempo em que o Senhor manifestasse Sua grande graça aos Seus escolhidos com maior amplitude do que nestes últimos dias, quando Sua lei é invalidada. "Foi do agrado de Jeová, por amor da Sua justiça, engrandecer a lei e torná-la gloriosa." Que diz Deus com relação ao Seu povo? -- "Mas este é um povo roubado e saqueado: todos estão enlaçados em cavernas, e escondidos nas casas dos cárceres; são postos por presa, e ninguém há que os livre; por despojo e ninguém diz: Restitui." Ver também Isaías 43. Estas são profecias que serão cumpridas.

Advertência contra desprezar a mensagem de Deus

Quero falar advertindo aos que por anos têm resistido à luz e alimentado o espírito de oposição. Por quanto tempo odiareis e desprezareis os mensageiros da justiça de Deus? Deus lhes deu Sua mensagem. Eles têm a Palavra do Senhor. Há salvação para vós, mas somente pelos méritos de Jesus Cristo. A graça do Espírito Santo é-vos oferecida repetidas vezes. A luz e o poder do alto têm sido abundantemente derramados em vosso meio. Há aqui evidências que todos aqueles que o Senhor reconhece como Seus servos podem discernir. Mas há os que desprezaram os homens e as mensagens que eles levaram. Têm escarnecido deles como fanáticos, extremistas e entusiastas. Permiti-me profetizar-vos: A não ser que imediatamente humilheis o coração diante de Deus, e confesseis vossos pecados, que são muitos, tarde demais vereis que tendes estado lutando contra Deus. Pela convicção do Espírito Santo, não mais para a reforma e o perdão, vereis que esses homens contra quem tendes falado, têm sido como que sinais no mundo, testemunhas de Deus. Então daríeis todo o mundo se pudésseis redimir o passado, e ser justamente homens assim zelosos, movidos pelo Espírito de Deus para levantar vossa voz em solene advertência ao mundo; e como eles, ser firmes como a rocha nos princípios. O virardes as coisas de cima para baixo é conhecido pelo Senhor. Continuai um pouco mais como tendes seguido, na rejeição da luz do Céu, e estareis perdidos. "O que for imundo, e se não purificar, a tal alma do meio da congregação será extirpada."

Não tenho uma mensagem suave a dar aos que por tanto tempo têm sido como que falsos sinaleiros, apontando na direção errada. Se rejeitardes os mensageiros delegados por Cristo, rejeitais a Cristo. Negligenciai essa grande salvação conservada diante de vós durante anos, desprezai essa gloriosa oferta de justificação pelo sangue de Cristo, e a santificação pelo poder purificador do Espírito Santo, e não restará mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo e ardente indignação.

Suplico-vos, agora, que vos humilheis e deixeis a vossa obstinada resistência à luz e à evidência. Dizei ao Senhor: "Minhas iniqüidades têm feito separação entre mim e o meu Deus. Ó, Senhor, perdoa as minhas transgressões. Apaga os meus pecados do livro das Tuas memórias." Louvai o Seu santo nome, nEle há perdão, e podeis ser convertidos, transformados.

"Por que, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno Se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?"

"Aquele pois que cuida estar em pé, olhe não caia"

A idolatria dos filhos de Israel

"Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar, e todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar. E todos comeram do mesmo manjar espiritual. E beberam todos duma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo. Mas Deus não Se agradou da maior parte deles, pelo que foram prostrados no deserto." A experiência de Israel, a que o apóstolo faz alusão nas palavras acima, e segundo é registrada nos (Salmos 105, 106), contém lições de advertência que o povo de Deus nestes últimos dias precisa especialmente estudar.

Insisto em que estes capítulos sejam lidos pelo menos uma vez por semana.

"E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar."

Aos ouvidos de todo o Israel falara Deus com terrível majestade sobre o Monte Sinai, declarando os preceitos de Sua lei. Vencido pelo senso de culpa, e temendo ser consumido pela glória da presença do Senhor, rogara o povo a Moisés: "Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos." Deus chamou Moisés ao monte para lhe poder comunicar as leis para Israel, mas quão depressa passou a solene impressão exercida sobre o povo de Deus pela manifestação da Sua presença! Até mesmo os guias do povo pareciam ter perdido a razão. A lembrança de seu concerto com Deus, de seu terror quando, caindo sobre os seus rostos, haviam temido e tremido sobremaneira, haviam-se todos dissipado como fumaça. Embora a glória de Deus ainda se assemelhasse a um fogo devorador no cume do monte, ainda assim, ao desaparecer a presença de Moisés, os velhos hábitos de pensamento e sentimento começaram a manter o seu poder. Cansado de esperar pela volta de Moisés, começou o povo a clamar por alguma demonstração visível de Deus.

Arão, que ficara encarregado do acampamento, cedeu aos clamores. Em vez de exercer fé em Deus deixando que o poder divino o mantivesse, foi tentado a crer que se resistisse às exigências do povo, este lhe tiraria a vida; e fez o que eles desejavam. Recolheu os ornamentos de ouro, fez um bezerro fundido e o amoldou com um instrumento de gravar. Então os líderes do povo declararam: "Estes são teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito." Ao ver Arão que a imagem que cinzelara agradara ao povo, orgulhou-se de sua obra. Edificou um altar diante do ídolo, "apregoou, e disse: amanhã será festa ao Senhor e no dia seguinte madrugaram, e fizeram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se a comer e a beber; depois levantaram-se a folgar". Beberam e festejaram, e se entregaram a alegrias e a danças, que terminaram nas vergonhosas orgias que assinalavam o culto pagão dos falsos deuses.

Deus, no Céu, contemplou tudo isto e avisou a Moisés do que estava ocorrendo no acampamento, dizendo: "Agora, pois, deixa-Me, que o Meu furor se acenda contra eles, e os consuma: e Eu farei de ti uma grande nação." "Porém, Moisés suplicou ao Senhor seu Deus, e disse: Ó Senhor, por que se acende o Teu furor contra o Teu povo, que Tu tiraste da terra do Egito com grande força e com forte mão? Por que hão de falar os egípcios, dizendo: Para mal os tirou, para matá-los nos montes, e para destruí-los da face da Terra? Torna-Te da ira do Teu furor e arrepende-Te deste mal contra o Teu povo. Lembra-Te de Abraão, de Isaque, e de Israel, os Teus servos aos quais por Ti mesmo tens jurado, e lhes disseste: Multiplicarei a vossa semente como as estrelas dos céus, e darei à vossa semente toda esta terra, de que tenho dito, para que a possuam por herança eternamente. Então o Senhor arrependeu-Se do mal que dissera que havia de fazer ao Seu povo."

Quando Moisés desceu do monte com as duas tábuas do testemunho na mão, ouviu a gritaria do povo e, ao se aproximar, avistou o ídolo e as danças da multidão. Tomado de horror e de indignação por haverem desonrado a Deus, por ter o povo quebrado o solene concerto com Ele, atirou as duas tábuas de pedra ao chão, e quebrou-as ao pé do monte. Embora seu amor para com Israel fosse tão grande que Ele estivesse pronto a dar sua vida pelo povo, todavia seu zelo pela glória de Deus despertou-lhe indignação, expressada por este ato de tão terrível significação. Deus não repreendeu a Moisés por isto. O quebrar as tábuas de pedra foi, apenas, uma representação do fato de que Israel quebrara o concerto que, fazia tão pouco tempo haviam feito com Deus. É uma justa indignação contra o pecado, oriunda do zelo pela glória de Deus, e não a ira que provém do amor-próprio ou da ambição ferida, a que se refere a Escritura: "Irai-vos, e não pequeis." Foi esta a indignação de Moisés.

"E tomou o bezerro que tinham feito, e queimou-o no fogo, moendo-o até que se tornou em pó; e o espargiu sobre as águas, e deu-o a beber aos filhos de Israel. E Moisés disse a Arão: Que te tem feito este povo, que sobre ele trouxeste tamanho pecado? Então disse Arão: Não se acenda a ira do meu senhor: tu sabes que este povo é inclinado ao mal; e eles me disseram: Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque não sabemos que sucedeu a este Moisés, a este homem que nos tirou da terra do Egito." E "Moisés viu que o povo estava despido, porque Arão o havia despido para vergonha entre os seus inimigos".

A influência especial da obra de Satanás

É-nos dada a advertência: "Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos."

Notai a influência de seus extremos e fanatismo ao serviço do grande obreiro Mestre, Satanás. Logo que o maligno tinha o povo sob o seu domínio, houve exibições de caráter satânico. O povo comeu e bebeu sem um único pensamento em Deus e Sua graça, sem pensar na necessidade de resistir ao diabo, que os estava conduzindo para os atos mais vergonhosos. Manifestou-se o mesmo espírito manifestado no sacrílego festim de Belsazar. Houve júbilo e dança, hilaridade e cânticos levados a uma paixão louca que enganava os sentidos; então a condescendência com os afetos desordenados e voluptuosos -- tudo isso se misturou naquela infeliz cena. Deus fora desonrado; Seu povo tornara-se uma vergonha à vista dos pagãos. Prestes estavam os juízos a cair sobre aquela multidão enfatuada e embrutecida. No entanto, Deus em Sua misericórdia lhes deu oportunidade para abandonar seus pecados.

"Pôs-se em pé Moisés na porta do arraial, e disse: Quem é do Senhor?" Os trombeteiros apanharam as palavras e fizeram-nas soar através da trombeta: "Quem é do Senhor?" "Venha a mim. Então se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi." Todos os que estavam arrependidos tiveram o privilégio de tomar posição ao lado de Moisés. "E disse-lhes: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa; e passai e tornai pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu próximo. E os filhos de Levi fizeram conforme a palavra de Moisés; e caíram do povo aquele dia uns três mil homens." Não houve parcialidade, nem hipocrisia, nem confederação para abrigar o culpado, pois o terror do Senhor estava sobre o povo.

Aqueles que tão pouco senso da presença e da grandeza de Deus haviam mostrado, e que, depois da exibição de Sua majestade estavam prontos a se apartar do Senhor, seriam contínua armadilha para Israel. Foram mortos, como uma censura ao pecado, e para fazer o povo temer desonrar a Deus.

O perigo de agradar a si mesmo

Não posso agora considerar esta história por mais tempo, mas eu peço a vós que estais em cada cidade, em cada vila, em cada família, peço a todo indivíduo que estude a lição desta passagem, tendo em mente as palavras da inspiração: "Aquele pois que cuida estar em pé, olhe não caia." Aqui é apresentada a única escolha que vos é revelada na Palavra de Deus. São os que cuidam para não caírem, que, afinal, são aceitos. Não há presunção mais fatal que a que leva os homens a se aventurarem a seguir a atitude de agradar a si mesmos. Em vista desta solene advertência de Deus, não devem os pais e mães cuidar? Não devem eles fielmente mostrar ao jovem os perigos que constantemente se levantam para desviá-los de Deus? Muitos permitem aos jovens freqüentar festas de prazer, pensando que o divertimento é essencial para a saúde e a felicidade; mas que perigos estão nesta vereda! Quanto mais satisfeito é o desejo de prazer, tanto mais é ele cultivado, e tanto mais forte se torna. A experiência da vida compõe-se em grande parte de satisfação própria no divertimento. Deus nos ordena a acautelar-nos. "Aquele pois que cuida estar em pé, olhe não caia."

Devemos chegar a uma posição em que cada diferença seja dissipada. Se julgo ter luz, cumprirei meu dever apresentando-a. Suponde que eu consultasse os outros quanto à mensagem que o Senhor quer que dê ao povo; poderia a porta fechar-se de modo que a luz não pudesse alcançar aqueles para quem Deus a enviou. Quando Jesus, cavalgando, entrou em Jerusalém, "toda a multidão dos discípulos regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto, dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no Céu, e glória nas alturas. E disseram-Lhe, dentre a multidão, alguns dos fariseus: Mestre, repreende os Teus discípulos. E, respondendo Ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão." -- The Review and Herald, 18 de Fevereiro de 1890.

Meus irmãos, em Sua grande misericórdia e amor, Deus vos tem dado grande luz; e Cristo vos diz: "De graça recebestes, de graça dai." Deixai que a luz lançada sobre vós irradie para os que estão nas trevas. Regozijemo-nos e alegremo-nos de que Cristo não somente nos deu a Sua Palavra, mas também nos tem dado o espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento de Deus, e de que na Sua força podemos ser mais do que vencedores. Cristo está dizendo: "Vinde a Mim. A Mim pertencem o conselho certo e o são juízo. Tenho compreensão e força para vós." Devemos repousar em Cristo pela fé, relembrando as palavras de alguém que foi inspirado por Deus a escrever: "A Tua mansidão me engrandeceu." Pedi a Deus que vos dê muito do óleo da Sua graça. Considerai cuidadosamente cada palavra, seja ela escrita ou falada. -- The Review and Herald, 22 de Dezembro de 1904.